domingo, 14 de dezembro de 2008

NATAL

É natal, tempo de amar

Tempo de carregar

Dentro de nós o sentimento cristão

É natal, tempo de fazer o bem

Seja aqui ou no além

Tempo de ajudar o irmão

É natal, tempo de confraternizar

Tempo de se doar e de sorrir

É natal, tempo de se esquecer

Aos outros fazer crescer

E enxergar o novo porvir

É natal, tempo de amar as criancinhas

Que abandonadas coitadinhas

Padecem de solidão

É natal, tempo de amar ao desvalido

Ter o sentimento de amor renascido

Tempo de ter compaixão

É natal, tempo de esquecer as dores

De ver florir novos amores

Nos corações solitários

É natal, tempo de se doar intensamente

Ver o mundo marchar para a frente

Em comunhão de sentimentos solidários

É natal, irmãos meus

Não se esqueçam dos seus

Que moram no abandono

É natal, queridos amigos

Vejam os jardins floridos

Que são cuidados pelos seus donos

É natal, e o coração marcha célere

E nas ruas pessoas correm também

É natal para toda a humanidade

É natal só de bondade

É tempo de fazer o bem

Agradeça a vida agora

É natal, e a alegria aflora em cada coração

Não queiram só para si a felicidade

Vivam com humildade

Amem e ajudem seus irmãos

É natal de vida nova

É a alegria sendo posta à prova

Para todos que crêem em Jesus

É natal, para os tristes e felizes

Para as mulheres idôneas e as meretrizes

É natal de amor e luz

É natal de vida reflorida

É natal de amor e paz

É o que deseja a irmã Margarida

É o que aqui se faz

Feliz Natal

Margarida

Mensagem Psicografada em reunião mediúnica da FECX no dia 11/12/2008

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Crônica do Natal

Desde a ascensão de Herodes, o Grande, que se fizera rei com o apoio dos romanos, não se falava na Palestina senão no Salvador que viria, enfim...
Mais forte que Moisés, mais sábio que Salomão, mais suave que David, chegaria em suntuoso carro de triunfo para estender sobre a Terra as leis do Povo Escolhido.
Por isso, judeus prestigiosos, descendentes das doze tribos, preparavam-lhe oferendas em várias nações do mundo.
Velhas profecias eram lidas e comentadas, na Fenícia e na Síria, na Etiópia e no Egito.
Dos confins do Mar Morto às terras de Abilena, tumultuavam notícias da suspirada reforma...
E mãos hábeis preparavam com devotamento e carinho o advento do Redentor.
Castiçais de ouro e prata eram burilados em Cesaréia, tapetes primorosos eram tecidos em Damasco, vasos finos eram importados de Roma, perfumes raros eram trazidos de remotos rincões da Pérsia... Negociantes habituados à cobiça cediam verdadeiras fortunas ao Templo de Jerusalém, após ouvirem as predições dos sacerdotes, e filhos tostados do deserto vinham de longe trazer ao santuário da raça a contribuição espontânea com que desejavam formar nas homenagens ao Celeste Renovador.
Tudo era febre de expectação e ansiedade.
Palácios eram reconstruídos, pomares e vinhas surgiam cuidadosamente podados, touros e carneiros, cabras e pombos eram tratados com esmero para o regozijo esperado.
Entretanto, o Emissário Divino desce ao mundo na sombra espessa da noite.
Das torres e dos montes, hebreus inteligentes recolhem a grata notícia...
Uma estrela rutila no firmamento.
O enviado, porém, elege pequena manjedoura para seu berço de luz.
E porque as vozes do Céu se fazem ouvir, cristalinas e jubilosas, cantam eles também...
- " Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens !... "
Ali, na estrebaria singela, estão Ele e o povo...
E o povo com Ele inicia uma nova era...
É por isso que o Natal é a festa da bondade vitoriosa.
Lembrando o rei Divino que desceu da Glória à Manjedoura, reparte com teu irmão tua alegria e tua esperança, teu pão e tua veste.
Recorda que Ele, em sua divina magnificência, elegeu por primeiros amigos e benfeitores aqueles que do mundo nada possuíam para dar, além da pobreza ignorada e singela.
Não importa sejas, por enquanto, terno e generoso para com o próximo somente um dia.
Pouco a pouco, aprenderás que o espírito do Natal deve reinar conosco em todas as horas de nossa vida.
Então, serás o irmão abnegado e fiel de todos, porque, em cada manhã, ouvirás um voz do Céu a sussurrar-te sutil:
Jesus nasceu ! Jesus Nasceu !...
E o Mestre do Amor terá realmente nascido em teu coração para viver contigo eternamente.

Irmão X (espírito) - Psicografia de Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Médiuns Sensacionalistas


Vianna de Carvalho (espírito)

A frase de João Batista: "É necessário que Ele cresça, e que eu diminua", tem atualidade no comportamento dos médiuns de todas as épocas, especialmente em nossos dias tumultuados.

À semelhança do preparador das veredas, o médium deve diminuir, na razão direta em que o serviço cresça, controlando o personalismo, a fim de que os objetivos a que se entrega assumam o lugar que lhes cabe.

A mediunidade é faculdade neutra, a que os valores morais do seu possuidor oferecem qualificação.
Posta a serviço do sensacionalismo entorpece os centros de registro e decompõe-se. Igualmente, em razão do uso desgovernado a que vai submetida, passa ao comando de Entidades, perversas e frívolas, que se comprazem em comprometer o invigilante, levando-o a estados de desequilíbrio como de ridículo, por fim, ao largo do tempo, empurrando o médium para lamentáveis obsessões.
Entre os gravames que a mediunidade enfrenta, a vaidade e o personalismo do homem adquirem posição de relevo, desviando-o do rumo traçado, conduzindo-o ao sensacionalismo inquietante e consumidor.
Neste caso. o recolhimento, a serenidade e o equilíbrio que devem caracterizar o comportamento psíquico do médium cedem lugar à inquietação, à ansiedade, aos movimentos irregulares das atrações externas, passando a sofrer de irritação, devaneios, e à crença de que repentinamente se tornou pessoal especial, irrepreensível e irreprochável, não tendo ouvidos para a sensatez nem discernimento para a eqüidade.

Torna-se absorvido pelos pensamentos de vanglória, e, disputado pelos irresponsáveis que lhe incensam o orgulho, levam-no à lenta alucinação, que o atira ao abismo da loucura.

A faculdade mediúnica é transitória como outra qualquer, devendo ser preservada mediante o esforço moral de seu possuidor, assim tornando-se simpático aos Bons Espíritos que o inspiram à humildade, à renuncia, à abnegação.

Quando ao personalismo sensacionalista domina o psiquismo do homem, naturalmente que o aturde, tornando-se mais grave nos sensores mediúnicos cuja constituição delicada se desarticula ao impacto dos choques vibratórios dos indivíduos desajustados e das massas esfaimadas, insaciadas, sempre à cata de novidades e variações, sem assumirem compromissos dignificantes.
S. João Bosco, portador de excelentes faculdades mediúnicas, resguardava-as da curiosidade popular, utilizando-as com discrição nas finalidades superiores.

Santa Brigida, da Suécia, que possuía variadas expressões mediúnicas, mantinha o pudor da humildade, ao narrar os fenômenos de que se fazia objeto.

José de Anchieta, médium admirável e curador eficiente, agia com equilíbrio cristão, buscando sempre transferir para Jesus os resultados das suas ações positivas.

S. Pedro de Alcântara, virtuoso médium possuidor de vários "dons", ocultava-os, a fim de servir, apagado, enquanto o Senhor, por seu intermédio, se engrandecia.

Santa Clara de Montefalco procurava não despertar curiosidade para os fenômenos mediúnicos de que era instrumento, atribuindo-os todos à graça divina de que se reconhecia sem merecimento.

Os médiuns que cooperaram na Codificação do Espiritismo, sensatamente anularam-se, a fim de que a Doutrina fixasse nas almas e vidas as bases da verdade e do amor como formas para a aquisição dos valores espirituais libertadores.

Todo sensacionalismo altera a face do fato e adultera-lhe o conteúdo.

Quando este se expressa no fenômeno mediúnico corrompe-o, descaracteriza-o e põe-no a serviço da frivolidade.

Todos quantos se permitiram, na mediunidade, o engano do sensacionalismo, não obstante as justificações sob as quais se resguardam, desceram as rampas do fracasso, enganados e enganando aqueles que se deixaram fascinar pelos seus espetáculos, nos quais, o ridículo passou a figurar.

O tempo, este lutador incessante, encarrega-se de aferir os valores e demonstrar que a "árvore" que o Pai não plantou "termina" por ser arrancada.

Quando tais aficionados da mediunidade bulhenta se derem conta do erro, caso isto venha acontecer, na Terra, possivelmente, o caminho de retorno à sensatez estará muito longo e o sacrifício para percorrê-lo os desencorajará.

Diante do sensacionalismo mediúnico, recordemo-nos de Jesus, que após os admiráveis fenômenos de socorro às massas jamais aceitava o aplauso, as homenagens e gratulações dos beneficiários, recolhendo-se à solidão para, no silêncio, orar, louvando e agradecendo ao Pai, a Eterna Fonte geradora do Bem.

Mensagem psicografada por Divaldo P. Franco em 1989, transcrita em o Reformador.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O HOMEM BOM

Conta-se que Jesus, apos narrar a Parábola do Bom Samaritano, foi novamente interpelado pelo doutor da lei que, alegando não lhe haver compreendido integralmente a lição, perguntou, sutil:
- Mestre, que farei para ser considerado homem bom?

Evidenciando paciência admirável, o Senhor respondeu:

Imagina-te vitimado por mudez que te iniba a manifestação do verbo escorreito e pensa quão grato te mostrarias ao companheiro que falasse por ti a palavra encarcerada na boca.
Imagina-te de olhos mortos pela enfermidade irremediável e lembra a alegria da caminhada, ante as mãos que te estendessem ao passo incerto, garantindo-te a segurança.

Imagina-te caído e desfalecente, na via pública, e preliba o teu consolo nos braços que te oferecessem amparo, sem qualquer desrespeito para com os teus sofrimentos.

Imagina-te tocado por moléstia contagiosa e reflete no contentamento que te iluminaria o coração, perante a visita do amigo que te fosse levar alguns minutos de solidariedade.

Imagina-te no cárcere, padecendo a incompreensão do mundo, e recorda como te edificaria o gesto de coragem do irmão que te buscasse testemunhar entendimento.

Imagina-te sem pão no lar, arrostando amargura e escassez, e raciocina sobre a felicidade que te apareceria de súbito no amparo daqueles que te levassem leve migalha de auxílio, sem perguntar por teu modo de crer e sem te exigir exames de consciência.

Imagina-te em erro, sob o sarcasmo de muitos, e mentaliza o bálsamo com que te acalmarias, diante da indulgência dos que te desculpassem a falta, alentando-te o recomeço.

Imagina-te fatigado e intemperante e observa quão reconhecido ficarias para com todos os que te ofertassem a oração do silêncio e a frase de simpatia.

Em seguida ao intervalo espontâneo, indagou-lhe o Divino Amigo:

- Em teu parecer, quais teriam sido os homens bons nessas circunstâncias?

- Os que usassem de compreensão e misericórdia para comigo - explicou o interlocutor.

- Então - repetiu Jesus com bondade-, segue adiante e faze também o mesmo.
Xavier, Francisco Candido. Da obra: Amor e Vida em Família.Ditado pelo Espírito Emmanuel.Capivari, SP: EME, 1995.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Um Ensaio Sobre Espiritismo e Política - 2ª Parte

Reflexão Preliminar

Haverá alguma relação entre Espiritismo e Política? Sobre o aspecto filosófico, o Espiritismo tem a ver e muito com a Política, já que esta deve ser a arte de administrar a sociedade de forma justa. Consequentemente, o espírita não pode declinar da sua cidadania e deve vivenciá-la de forma consciente e responsável.

O Brasil sempre foi alvo de muitas esperanças. Falava-se em país do futuro, em berço da nova civilização e, nos meios espíritas, em "Coração do Mundo e Pátria do Evangelho." O grande problema é que os brasileiros nunca demonstraram grande empenho para alcançar concretamente esses títulos. Boa parte dos trabalhos de ciência política no Brasil trazem uma característica marcante: a constatação de que a sociedade brasileira é dependente do Estado e que não tem apego a valores como democracia, liberdade e igualdade.

Não tem tradição de participação, de reivindicar seus direitos. A sociedade é uma das maiores responsáveis pelos males que a atingem. Somos um País que não se conscientizou de que depende da sociedade colaborar na resolução de muitos problemas dos quais o Estado não consegue dar conta. O Brasil só vai poder dizer-se Pátria do Evangelho quando der os primeiros passos na construção de uma sociedade realmente democrática, justa e fraterna. Quando, enfim, os brasileiros olharem para a sociedade e perceberem que fazem parte dela. Se uma pessoa está sofrendo, em um determinado local, todos sofremos, pois os problemas dela acabam nos atingindo de uma maneira ou de outra, seja por meio da violência ou dos mecanismos econômicos mais complexos.

E o que tem a ver o Espiritismo com isso? O espírita tem em suas mãos instrumentos poderosos de participação (e de transformação) da sociedade: as federativas, os centros espíritas, as instituições específicas, os órgãos de comunicação. Podem, no mínimo, auxiliar na mudança de mentalidade de seus adeptos. Sabemos que Kardec recomendou aos centros que deixassem de lado as questões políticas. Mas essa afirmação significa que não devemos trazer para o centro espírita as campanhas e militâncias partidárias, pois o lugar para o seu exercício é no seio das agremiações e locais respectivos. Assim, jamais o Espiritismo, como Doutrina, e o Movimento Espírita, como prática, poderão dar guarida a um partido político em seu seio, por exemplo: Partido Social Espírita, Partido Espírita Cristão, etc.

As questões políticas decorrem dos próprios princípios do Espiritismo. A partir do momento em que se fala em reforma moral, em mudança de visão do mundo, em desapego dos bens materiais, prática da caridade, etc. fala-se sobre política. Principalmente, quando se fala em transformação da sociedade, como aparece a todo momento na Codificação (particularmente no capítulo final da Gênese), estamos falando de política. "Em que consiste a missão dos Espíritos Encarnados? - Em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes melhorar as instituições, por meios diretos e materiais". (Questão n º 573 de O Livro dos Espíritos). De se entender, então, que não pode o espírita alienar-se no seio da sociedade em que vive, com a desculpa de que Espiritismo e Política não têm nada que ver, pois é preciso lembrar que a vida material e a vida espiritual são dimensões contínuas da própria Vida.

O homem tem que progredir, e isolado ele não tem condições disso, já que seu progresso depende dos bens que lhes são oferecidos pela família, pela escola, pela religião e demais agências sociais. Para o espírita, essa ação política deve ser sempre inspirada nos princípios expressos pelo aspecto filosófico do Espiritismo, que o levam a amar e, nesse caso, amar é desejar o bem; logo, a exteriorização política do Amor é a expressão do querer bem e do agir para o bem de todos. A ação política dos bons é um imperativo na hora atual.

O Espiritismo apresenta conceitos claros e precisos para essa atuação. "A nova geração marchará, pois, para a realização de todas as idéias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento a que houver chegado. Avançando para o mesmo alvo e realizando seus objetivos, o Espiritismo se encontrará com ela no mesmo terreno. Aos homens progressistas se deparará nas idéias espíritas poderosa alavanca e o Espiritismo achará, nos novos homens, espíritos inteiramente dispostos a acolhê-lo". (A Gênese). "O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pelas generalidades das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto do que qualquer outra doutrina a secundar o movimento de regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse movimento. Surgiu na hora em que podia ser de utilidade, visto que também para ele os tempos são chegados". (A Gênese).

O Espiritismo trabalha com a educação. Esta é a base da própria Doutrina pois, para praticá-la, temos de nos educar. E a educação tem um conteúdo extremamente político, pois muda nossa forma de ver o mundo e de agir nele. Assim, é cada vez mais importante que os centros espíritas percebam a importância de discutir os assuntos da realidade concreta. Não estaremos fazendo política no aspecto partidário, mas sim auxiliando na conscientização dos espíritas sobre como entender a sociedade e agir nela de uma forma crítica e consciente. Com uma visão crítica baseada nos princípios espíritas. Qual o posicionamento de um espírita frente a questões como violência, menores abandonados, educação, desemprego, racismo, discriminação social. O que podemos fazer em nosso âmbito para combater esses problemas? Não adianta querer ser espírita no plano espiritual. Podemos e devemos estudar a moral espírita em sua teoria. Mas não há como fugir: a sua aplicação prática será, quer queiramos ou não, na realidade concreta, enfrentando esses problemas do cotidiano.

Segundo J. Herculano Pires, em O Centro Espírita, "O Espiritismo se liga a todos os campos das atividades humanas, não para entranhar-se neles, mas para iluminá-los com as luzes do Espírito. Servir o mundo através de Deus é a sua função e não servir a Deus através do mundo (...)." Por tudo isso, devemos entender que são fundamentais o Espiritismo e a Política para a construção de Uma Nova Sociedade.


OSMAN NEVES ALBUQUERQUE - PE

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Um ensaio sobre Espiritismo e Política - 1ª Parte

Prefácio


A transformação íntima só se torna efetiva e verdadeira quando ela é irradiada para a coletividade em que estamos inseridos. O Espiritismo nos fala da realidade do espírito e do seu processo evolutivo, ensinando-nos que a felicidade é uma construção individual e coletiva. Ninguém conseguirá ser feliz com o seu derredor emitindo gritos de carências e lágrimas de dores. Ninguém será feliz sozinho ou rodeado de poucos. O IPEPE – Instituto de Intercâmbio do Pensamento Espírita de Pernambuco, que tem como missão interligar o pensamento espírita às diversas áreas do conhecimento humano, colaborando para a cidadania e a paz, estará presente onde o homem estiver para, junto com este, melhorar as condições espirituais e sociais da humanidade. O trabalho que ora se apresenta com o título "Um Ensaio sobre Espiritismo e Política" preparado pela CASP – Coordenadoria da Área Sócio-Política do IPEPE, é um convite aberto para todos nós espíritas, para que possamos fazer uma reflexão corajosa sobre o nosso atual estágio de cidadania . A questão não é deixar de fazer algo que esteja sendo feito, mas sim, analisarmos se não estamos deixando de fazer algo que já deveríamos estar fazendo. Bom , falar mais já estaria privando o leitor de iniciar este estudo e reflexão para, sem maiores perda de tempo, iniciarmos as necessárias ações.

Gezsler Carlos West
Coordenador Geral do IPEPE

A TÍTULO DE REFLEXÃO

Deve o espírita esforçar-se para cumprir os seus deveres de cidadão e exercer os seus direitos políticos? - A Doutrina Espírita conscientiza a criatura humana, levando-a a tornar-se um "homem de bem" no sentido global? - Que têm feito as Instituições Espíritas para favorecer o processo de conscientização sócio política dos seus freqüentadores? - O que você acha de realizarmos um ciclo de estudos e debates sobre o assunto desta apostila? - Se Você despertou maior interesse sobre o assunto, leia esta apostila.

EM TORNO DO CONCEITO DE POLÍTICA

Algumas pessoas, no meio espírita, reagem de maneira negativa e, às vezes, até assustadas quando se fala em política, demonstrando desinformação e preconceito. Existe até um tabu de que Política entra em confronto com o zelo doutrinário. Na realidade a Política é bem mais abrangente e está presente em tudo que o homem realiza. Todos nós somos políticos. Há mais de 2000 anos o filósofo grego Aristóteles escreveu que o homem é um "animal político" e não estava brincando. Estava dizendo uma coisa seriíssima, que permanece válida até hoje. Política é toda atividade que as pessoas praticam com o objetivo de influenciar os acontecimentos, o pensamento e sobretudo as decisões da sociedade em que vivem. No quotidiano confirma-se a natureza política do homem, uma vez que a vida em comum e as formas de coexistência são ordenadas segundo os sistemas de governo e, nessas condições, querendo ou não participar, podendo ou não atuar na vida política, o homem recebe direta ou indiretamente os efeitos desses sistemas e paga pelas conseqüências. Os líderes religiosos têm forte papel político. E mesmo nós, cidadãos comuns, fazemos política com muita freqüência, mesmo não tendo consciência disso. Na feira, quando falamos mal do governo, ou nas reuniões sociais, quando falamos mal ou bem do partido tal ou do ministro tal, estamos tentando fazer a cabeça dos outros, que por sua vez tentarão fazer a de outros. Ou seja, estamos contribuindo para formar a chamada "opinião pública". Mesmo se o peso desses atos é pequeno, o fato é que, ao praticá-los, estamos participando do processo político. O Evangelho apresenta, igualmente, a mais elevada fórmula de vida político-administrativa aos povos da Terra: O Reino do Amor. O Espiritismo em seus aspectos científico, filosófico e religioso tem muito a ver com a compreensão e organização da sociedade, a fim de que ela seja mais justa e amorosa e, através de seus adeptos, atue na realização do Reino de Jesus --- Reino da Verdade, do Amor e da Justiça --- sobre a face da Terra.



"Para nós, a política é a ciência de criar o bem de todos e nesse princípio nos firmaremos". - Deputado Dr. Adolfo Bezerra de Menezes



OSMAN NEVES ALBUQUERQUE - PE



Fonte:http://www.ipepe.com.br

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Reuniões mediúnicas

Joaquim Ladislau Pires Júnior
Fonte: Portal do Espírito - www.espírito .org.br
Muitas instituições espíritas têm o costume de fazerem o “carro-chefe” de suas atividades as reuniões mediúnicas, desprezando a importância dos estudos, do atendimento fraterno, da educação espírita ou evangelização, das palestras públicas, dentre outras.

Não podemos negar a importância do intercâmbio com o plano espiritual, mas querer transformá-lo numa “vedete” das atividades é desprezar o fato de que a melhor coisa que podemos fazer pelo Espiritismo e pela instituição a qual freqüentamos é nossa educação, pois essa é a principal proposta da Doutrina.

Reuniões mediúnicas sérias não podem ser tomadas à guisa de agrupar curiosos em falar com os Espíritos. Muito menos desvendar o passado ou o presente dos participantes ou ainda descobrir a vida pretérita dos mesmos. Quem quiser saber seu passado que comece a se auto-descobrir e veja quais as tendências que é portador.

Só podem ser admitidos às reuniões mediúnicas quem realmente conheça o Espiritismo e que freqüente grupo de estudos doutrinários. Médiuns não esclarecidos conspiram contra si e contra a Doutrina. Embora muitos “médiuns” digam-se poderosos e que não precisam mais estudar. Lógico que se estudassem não diriam isso.

Também digno de menção é aquele fato conhecido e pitoresco de ir convidando as pessoas as quais é seu primeiro dia de casa espírita ou que chegaram ao centro na “semana passada”, para freqüentarem as reuniões mediúnicas, como se o grupo mediúnico fosse uma sala de espetáculos.
Grupos mediúnicos sérios fazem reuniões periódicas de avaliação das atividades, oportunizando o “feedback” e que todos os integrantes da equipe possam se afinizar e conversarem, eliminando as “distâncias” entre si.

Lembrando que é equipe e não “euquipe” ou “equipiada” e que ninguém é melhor que ninguém, devendo todos estarem abertos à contínua e incessante aprendizagem e aperfeiçoamento.

E antes de querer aplicar a mensagem recebida aos semelhantes, é aplicá-la em si mesmo, sabendo sempre que é “pelos frutos que se reconhece a árvore”, tomando sempre o Evangelho como referência. E se você quiser freqüentar a reunião mediúnica para ouvir “mensagens do além”, trate de estudar o Evangelho.
julho/2004

sexta-feira, 12 de setembro de 2008




A prevenção de Drogas à luz da ciência e da Doutrina Espírita
Rosa Maria Silvestre Santos
Prevenção de droga na família
A forma poética e simbólica de Lídia Aratangy no seu livro Doces Venenos, mostra claramente o papel da prevenção na família e escola, quando relata a história da Bela Adormecida. Na realidade, se o rei, ao invés de proibir todas as rocas de fiar do reino, diante da maldição da bruxa, contasse para a princesa, desde pequenina, dos riscos que ela corria, poderia mudar esta história e ela não seria atingida pela maldição. O mesmo ocorre com as drogas, se a família e escola falarem naturalmente de drogas, desde a tenra infância, as crianças cresceriam convivendo com colegas que usam, sem morrerem de curiosidade e desejos. Lídia coloca que a mesma atitude se toma diante do sexo, doenças e outros assuntos polêmicos.
Lídia comenta também neste mesmo livro sobre o fascínio do Conde Drácula, representado pelo ator Cristopher Lee, no filme "Vampiro da Noite". Sábiamente, compara a sedução do vampiro à sedução da droga. O Conde Drácula, com aquela sua beleza, fazia com que as pessoas se apaixonassem e não resistissem, mesmo sabendo que estariam correndo sérios perigos.
Ocorre o mesmo com jovens e adultos, porque ao entrarmos em contato com nosso mundo interno, imaginário e desconhecido, podemos estabelecer um vínculo muito forte com a droga, (sensação vivida pelas pessoas que "bebem socialmente" e "fumam" ou usam "medicamentos"), tendo sempre em vista que 15% da população tem predisposição genética, como também resquícios de suas vidas passadas.
Indiscutivelmente, todos os especialistas e estudiosos dos problemas relativos ao uso de drogas, acreditam que o melhor combate é a prevenção. A UNESCO, desde 1972 destacou a necessidade universal de se fazer um investimento na educação para prevenir o abuso de drogas.
Prevenir significa dispor com antecipação, preparar, chegar antes. Em relação às drogas, pressupõe um conjunto de medidas utilizadas para impedir ou, pelo menos, reduzir seu consumo abusivo.
A maior dificuldade de um programa de prevenção reside na hipocrisia dos adultos, que fazem uso abusivo de drogas legais e se situam no "faça o que eu digo e não faça o que eu faço".
Bucher (1988) afirma que a primeira postura para se falar de drogas é abandonar preconceitos, tais como: "usou droga uma vez e já está irremediavelmente perdido" ou "a droga é a culpada dos males da sociedade..."
Os pais que tratam este assunto como um tabu fazem advertências dramáticas e aterrorizantes, criam um clima de suspeita, despertando a curiosidade e afastando ainda mais os jovens dos adultos. Falar com naturalidade e segurança é de boa política, procurando não mistificar a droga e integrando-a dentro de outros assuntos da vida cotidiana.
O grande dilema dos pais se refere ao que fazer para que seus filhos não comecem a usar drogas, ou para que deixem de usá-la ou ainda para que não voltem a usá-la.
As drogas podem causar grandes dramas. Segundo Bucher(1989), a atitude mais adequada em termos preventivos, quando a família constata o uso de drogas pelo filho é: não abafar, não castigar e não condenar; procurar saber o nível de comprometimento, melhorar as relações dentro de casa e procurar ajuda especializada.
A família precisa repensar seu papel, suas relações, não usar de autoritarismo nem de liberalismo, mas ser uma presença firme e flexível, sabendo usar de sua "autoridade".
Até a família mais estruturada pode sofrer transgressões passageiras sem danos para o futuro e pode sobreviver muito bem, já que conta com modelos familiares sadios e boas relações entre as pessoas.
O trabalho preventivo não é monopólio de especialistas, mas responsabilidade de toda a sociedade: pais, educadores, profissionais de saúde, justiça, serviço social, e outros.
A concepção educativa de prevenção está centralizada nos seguintes aspectos: formação do ser humano; valores; motivações; estilo de vida isento de drogas; alternativas no campo do lazer; esporte e artes (desenvolvimento do potencial criativo) e ampliação da consciência integral (busca de transcendência).
Basicamente, a prevenção deve concentrar-se menos nos perigos e aspectos farmacológicos (por isso a informação é apenas um componente e sempre aparece contextualizada no cenário educativo) e enfocar mais a fase da adolescência, a busca da auto-afirmação, da auto-estima, o conflito dependência e independência, a transgressão, o conflito com a pessoa de autoridade, a dificuldade de enfrentar problemas e limites e a questão do prazer. A prevenção alerta sobre os riscos de tolerância e dependência e, principalmente, focaliza a responsabilidade pessoal pela opção a ser tomada.
A família espírita tem uma compreensão mais totalizadora do fenômeno droga. Nós acreditamos que existe um componente espiritual muito forte nesta predisposição do jovem para qualquer droga, visto que na adolescência o jovem assume algumas tendências de outras vidas, mas recebeu desde o planejamento de sua encarnação e deveria ter recebido na sua família, toda orientação para o seu aprimoramento espiritual.
Joanna de Ângelis acredita que o antídoto para o aberrante problema dos tóxicos está na:
Educação à luz do Evangelho sem disfarces nem distorções, desde à gestação.
Conscientização espiritual sem alardes
Liberdade e orientação com base na responsabilidade
Vigilância carinhosa dos pais e mestres cautelosos
Apesar de existir quadros desajustadores, não podemos culpar apenas os pais pelo desajuste do filho, o adolescente também tem participação ativa e consciente, ele intuitivamente sabe o que sua consciência diz, se tiver vontade firme pode exercitar seu auto-controle e auto-disciplina.

Joanna de Ângelis afirma que o adolescente faz a opção pelas drogas quando sente-se impossibilitado de auto-realizar-se, geralmente por causa de uma família-provação, porque foi desprezado em casa, não foi qualificado como ser humano, vive uma desarmonia psicológica e o seu mundo interno não está bem.
O livro” Família e Espiritismo” traz algumas orientações aos pais:
-Não penses que o seu lar será poupado;
-Observa o comportamento de seu filho, fique bem atento, e se o problema bater na sua porta: Não fuja dele - saia da cegueira familiar;
-Não desespere e nem seja hostil;
-Converse, esclareça, oriente;
-Busque os recursos da medicina dos homens e da doutrina espírita.
Atitudes paternas que dificultam um programa de prevenção às drogas:
-Pais que usam medicamentos na busca de equilíbrio, mostram que enfrentam a realidade ingerindo produtos químicos. (calmantes, etc.)
-Pais que usam e abusam de remédios sem receita médica, sem o menor esforço para diminuir a dor através dos recursos mentais e outras técnicas alternativas.
-Pais que usam e abusam de bebidas alcoólicas.
-Pais que fumam e usam o cigarro como bengala psicológica.




terça-feira, 9 de setembro de 2008

A mente que não mente

Autor: Hermínio C. de Miranda
A ortodoxia religiosa sempre andou preocupada com a eclosão de doutrinas reformistas e renovadoras que classifica sumariamente de heréticas. Essa vigilância tem levado a muita perseguição injusta e a não poucos arrependimentos e recuos. Alguns heréticos chegaram mesmo a passar da condição de réprobos à canonização, como Joana D’ Arc, quando foi revisto o seu processo. Outros, como Giodarno Bruno e Galileu, constituem até hoje pontos sensíveis na história eclesiástica, como pecados da juventude que não relembramos sem angústia.
O problema, porém, tornou-se muito mais sério nestes últimos tempos, nos quais o arcabouço teológico começa a estalar ao peso insuportável da modernização do pensamento. Ainda que a ciência também tenha seus dogmas e seus hereges, muito do que ela vai revelando adquire foros de conquista irreversível, geralmente em sacrifício de velhos conceitos superados.
Qualquer menino de ginásio sabe hoje que um corpo humano não pode subir ao céu como querem os dogmas da ascensão do Cristo e de Maria.
Mesmo admitindo-se a atuação de uma força propulsora que os projetasse para além da gravidade terrestre, os corpos assim deslocados, ficariam suspensos no espaço a circular na órbita da terra ou de seu satélite.
Esse tipo de conhecimento leva o homem moderno às trilhas da descrença por não saber como conciliar razão e fé. Os grandes filósofos do cristianismo ortodoxo conseguiram, com enorme sucesso e por largo espaço de tempo, convencer fiéis de que a fé era uma coisa e razão outra, e que aquela não poderia ser subordinada a esta.
Ainda há quem admita esse conceito absurdo; outros, porém, preferem pensar por sua própria cabeça e submeter à crítica da razão aquilo que lhes chega envolvido pela atmosfera abafada da teologia escolástica. Estes derivam para descrença e desanimam na busca da verdade ou partem para o estudo sistemático de qualquer sistema que ofereça alguma luz ao entendimento do universo.
O Espiritismo é a doutrina que conseguiu, pela primeira vez, conciliar fé e razão, não admitindo aquilo que não puder passar no teste do racionalismo inteligente e esclarecido.
Por isso vai se impondo metodicamente, seguramente, ampliando cada vez mais sua área de influência, pois atrai a todos aqueles que, sem poderem mais aceitar a velha crença divorciada da razão, estão prontos para acatar uma verdade superior que não exige o sacrifício do raciocínio. Mas ainda: o Espiritismo expõe uma doutrina do mais profundo sentido humanista. A sua racionalidade não a levou à frieza dos símbolos matemáticos ou dos meros conceitos filosóficos – é, antes, uma norma de vida, um roteiro para compreensão do universo e posicionamento do homem na escala cósmica.
Por isso, muitos nos procuram, o que preocupa, como é natural, os responsáveis pela perpetuação do superado sistema dogmático. Através dos séculos, chegou a ser desenvolvida uma verdadeira técnica de combate às novas idéias que ameaçam a estabilidade da ortodoxia. Essa técnica se aperfeiçoa com o passar do tempo, mas continua basicamente a mesma.
O Espiritismo é uma das doutrinas que muito vem incomodando a igreja especialmente a brasileira, ou seja, a porção brasileira do catolicismo romano. Para combatê-los, vários e ilustres sacerdotes têm sido investidos dos necessários poderes e dos competentes “Imprimatur” e “Nihil Obstat”. Essa é a técnica básica.
Há algum tempo, entretanto, a dominante do plano de ataque era a velha doutrina de interferência do diabo nas manifestações mediúnicas. Hoje isto seria inadmissível, pois até mesmo os sacerdotes já descobriram que essa história de demônio é fantasia pura. A prova está nas declarações de alguns eminentes teólogos perante o Concílio Vaticano-II. Impedidos assim de invocar o demônio de atacar a ciência nas suas conquistas mais legítimas, buscam qualquer princípio científico que ofereça a mínima possibilidade de apoio. Esse é o ponto em que variou a técnica.
Um dos recursos de que estão se socorrendo os nossos queridos irmãos sacerdotes é a Parapsicologia, na qual vêm depositando grandes e infundadas esperanças.
A Parapsicologia ainda não está muito segura de si e sofre dum renitente mal de origem, que poderíamos chamar, recorrendo ao velho grego, de pneumofobia, ou seja, medo do espírito. A jovem ciência que nós espíritas, poderíamos classificar como autêntica reencarnação da Metapsíquica, treme à idéia de acabar descobrindo o espírito humano e foge da palavra como, segundo se dizia, o desmoralizado diabo fugia da cruz. Os modernos tratados de Parapsicologia giram todos em torno do mesmo “leit motiv”: “O Alcance da Mente”, “O Novo Mundo da Mente”, “Ciência Fronteiriça da Mente”, “Canais Ocultos da Mente”. É tudo mente e nada de espírito. Sobrevivência?! Deus nos livre! Pois se nem quererem concordar em que o espírito exista, como vão admitir que sobrevive? Nada disso; tudo se explica pela faculdade extra-sensorial da mente. Mas que faculdade é essa e que “Mente” é essa?
Vêm, então, os nossos inevitáveis sacerdotes parapsicológicos deitar sabedoria extra-sensorial, contaminados irremediavelmente pela mesmíssima pneumofobia e tudo para eles é Mente também.
Topamos, assim, como esta incongruência, difícil de se admitir em homens que devem ter estudado a sua filosofia:
1 – a mente dispõe de faculdades extra-sensoriais (postulado cientifico que aceitam e ensinam);
2 – o espírito (alma) que não pode existir sem a mente; sobrevive à morte física (postulado teológico que também aceitam e pregam);
3 – a mente (ou espírito ou alma) não está sujeita a limitação de tempo ou de espaço (também pacífico).
No entanto, qual a conclusão: A mente do espírito sobrevivente que ligada ao corpo, tinha recursos tão notáveis, não pode manifestá-los quando se separa do corpo pela morte física, a não ser através do “milagre”(!).
E os livros que contam essas coisas merecem ingênuos e inadvertidos “Imprimatur” e “Nihil Obstat”, o que vale dizer que são aprovados, confiantemente para o leitor católico; autoridades Eclesiásticas respeitáveis dão cobertura do ponto de vista teológico a obras que, do ângulo científico, estão oferecendo uma visão deformada e incompleta da realidade. A Parapsicologia não tem substância suficiente para oferecer base à teologia ortodoxa e jamais a terá, enquanto permanecer contida nos seus gabinetes atuais.
No dia em que o mecanismo do espírito (chamem de mente se quiserem) for pesquisado por cientistas corajosos e despidos de preconceitos, vão ser “revelados” os seguintes pontos que o Espiritismo conhece há mais de cem anos:
1- que espírito existe, preexiste e sobrevive;
2- que há um intercâmbio ativo entre os homens que já viveram na Terra e os espíritos dos que vivem como homens;
3- que o espírito se reencarna, evolui e é responsável pelo que faz aqui e no mundo espiritual.
Diante disso, como é que vão ficar os nossos padres parapsicólogos? Quando voltarem para o espaço, depois da chamada “crise da morte” e quiserem transmitir a realidade da sobrevivência ao companheiro encarnado, este poderá dizer muito simplesmente que não é preciso admitir a comunicação espírita; basta a pantomnésia ou a hiperestesia direta, ou indireta. E o pobre espírito, dentro duma realidade irrecusável, irá amargar alhures a repercussão de sua vaidade teológica e científica.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Bezerra de Menezes - Médico dos Pobres - 29/08/2008 nos Cinemas

O projeto cinematográfico Bezerra de Menezes-Médico dos Pobres utiliza reconstituições e depoimentos para transitar por uma história repleta de exemplos edificantes de amor e moral. A vida de nosso personagem começa em 1831 na localidade de Riacho do Sangue, Ceará. No universo sertanejo forjou seu caráter e aos dezoito anos inicia no Rio de Janeiro seus estudos de medicina. Na Capital da República foi um grande abolicionista e elegeu-se vereador e deputado em várias legislaturas. Porém, o trabalho anônimo em favor dos mais humildes foi que lhe trouxe o maior reconhecimento de seu povo, que o chamava Médico dos Pobres. Sua trajetória foi marcada pelo amor e pela caridade. Seja como o político devotado às causas humanitárias ou como o médico conhecido por jamais negar socorro a quem batesse à sua porta. Um exemplo de homem que fez da sua vida um meio de servir ao próximo e à sua pátria. Contar a vida desse ilustre Cearense é um projeto que ambiciona, mais do que prestar tributo à um grande homem, possibilitar, através do audiovisual, o contato do grande público com as minúcias do seu pensamento e conhecer passagens relevantes de sua vida para melhor compreender a magnitude da sua obra.Fonte: http://www.bezerrademenezesofilme.com.br/

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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A PAZ É A RESPOSTA À ORAÇÃO

J. Herculano Pires


Quando falamos de oração e de paz, ligamos imediatamente dois elementos fundamentais que constituem o anseio principal da alma humana. A oração representa a nossa transcendência, o momento em que nós superamos a nossa condição simplesmente humana para nos aproximarmos da condição divina; é o momento em que falamos com Deus, estabelecemos aquele diálogo que Kierkgard fundamentava todo o processo da sublimação do homem através da existência. Nesse diálogo não está apenas a nossa ligação com o Poder Supremo, porque podemos também dirigir as nossas orações às entidades espirituais que considerarmos, por motivos muitas vezes puramente pessoais, mas próxima do nosso coração, mais acessível à nossa compreensão e ao nosso atendimento. Mas, de qualquer maneira, a oração é sempre o esforço do homem para transcender a sua condição precária na terra, a fragilidade da sua condição humana e elevar-se à condição divina.

A Paz é a resposta à oração. E a oração é o pedido do homem ao céu; é o grito da criatura em direção ao Criador, pedindo amparo e orientação na terra. A Paz, aquela Paz de que fala Jesus no Evangelho; não a paz do mundo; mas a Paz do Evangelho. É a resposta do Criador à Criatura.

É a resposta do céu à terra, o momento em que desce do céu a centelha divina para iluminar o coração humano, para esclarecer a consciência do homem. Há muitas tentativas de estudar o problema da oração e há muitas críticas a respeito da oração. Se temos fé e oramos, devemos esperar uma resposta. Muitas vezes, porém, dizem os críticos, não há resposta nenhuma. A oração parece bater contra uma muralha e desfaz-se, sem produzir sequer um eco. É o momento da angústia que envolve o homem no seu desespero, na sua procura muitas vezes, desesperada, de solução para os seus problemas, para suas inquietações e ansiedades. Entretanto, apesar de toda essa afirmação crítica, alguns dizem que, pelo contrário, a oração tem sempre a sua resposta, de uma forma ou de outra. Na era científica em que vivemos, a crítica à oração se estende também ao problema da impossibilidade de nos comunicarmos, à distância, com as criaturas divinas em quem confiamos, nas quais depositamos nossa fé e nossas esperanças. Dizem, então, como pode uma criatura da terra, esse “bicho da terra”, tão pequeno, como dizia Camões, nos “Lusíadas”, como pode essa ínfima criatura terrena dirigir-se a Deus ou dirigir-se a uma entidade espiritual, muito superior a ela, muito superior a essa criatura ? Como pode-se estabelecer o diálogo entre o finito e o infinito, entre o divino e o humano ? Que força terá o pensamento terreno, o pensamento do homem, na Terra, para atravessar as distâncias do infinito, e atingir, no incomensurável, os corações terrenos aos quais ele se dirige ?

Mas, a evolução científica do nosso tempo se acelera, e de tal maneira se acelerou nas últimas fases, que podemos dizer, sem medo de errar, que o problema da oração deixou de ser puramente teológico, religioso, ou mesmo um problema filosófico, para se esclarecer em termos de ciência. O desenvolvimento das ciências psicológicas em nosso tempo – tempo que podemos classificar muito além de simples era atômica, em era psicológica, pois a psicologia domina em todos os campos do conhecimento atual, neste tempo o problema da oração esclarece-se através do desenvolvimento das próprias ciências psicológicas. Sabemos que, depois das duas últimas correntes da psicologia moderna – podemos considerar como as duas últimas correntes no sentido de constantes decisivas do desenvolvimento psicológico – que são a psicologia profunda, de um lado, tendo sua base na teoria do inconsciente e, de outro lado, a teoria da percepção que tem como fundamento a “gestalt”, ou teoria da forma – o desenvolvimento dessas duas correntes no campo das ciências psicológicas resultou em nossa época no aparecimento da parapsicologia, resultado dialético do encontro e da fusão destas duas correntes da psicologia em profundidade e da psicologia da percepção, que é periférica, a parapsicologia resume, aparece, portanto, da síntese daquelas concepções, oferecendo-nos uma possibilidade de maior compreensão da natureza humana.
O Prof. Rhine, que é o fundador da parapsicologia moderna, chegou a afirmar que a finalidade da parapsicologia é mostrar ao homem a sua verdadeira natureza, é descobrir na profundeza do homem a sua verdadeira essência.

Pois bem, uma das conquistas mais velhas, mais positivas da parapsicologia em nosso tempo está precisamente no campo do pensamento. A parapsicologia provou cientificamente – e isto já na década de 30, e é, portanto uma prova científica que já tem quase quarenta anos de validade – que o pensamento não é físico. O Prof. Rhine chegou mesmo a criar uma expressão científica para evitar a expressão religiosa- espiritual. Criou uma expressão científica para designar a natureza dessa prevenção não física, não material, que existe no homem.

Ele diz, então, o pensamento é extra-físico. Se o pensamento é extra-físico, ele não provém do cérebro. Não é como queriam os materialistas dos Séculos XVIII e XIX, uma secreção do cérebro, à semelhança da bílis que é secretada pelo fígado. Não, o pensamento não tem sua origem na matéria, e o Prof. Rhine sustenta a tese de que o pensamento é extra-físico e , consequentemente, provém da mente, que também é extra-física.

A mente extra-física possui um instrumento de manifestação material, que é o cérebro. O cérebro não segrega o pensamento. O cérebro apenas recebe o pensamento. As pesquisas realizadas a respeito da natureza do pensamento no campo parapsicológico, demonstraram o seguinte: o pensamento é a energia mais poderosa que conhecemos no campo da comunicação.

Nenhuma das energias utilizadas nas comunicações técnicas na Terra – nenhuma – alcança as distâncias infinitas que o pensamento atinge. E nenhuma é capaz de vencer todas as barreiras que o pensamento vence. Para o pensamento não há barreiras físicas, barreiras materiais. Não há nem mesmo a distância no espaço e nem a distância no tempo. O pensamento não se sujeita ao condicionamento físico espaço-temporal. Ele supera todos os condicionamentos físicos, ele está além do físico; é precisamente extrafísico.

Por isso estabelece-se, ao lado da corrida pela conquista do espaço, entre as duas grandes potências mundiais, Estados Unidos e Rússia, também uma corrida bastante significativa para o nosso tempo, que é a corrida telepática. As pesquisas nesse sentido se desenvolvem nesse campo, nas duas grandes potências. E por quê ? Porque ambas, querendo conquistar o cosmos, descobriram, afinal, que não possuem nenhum tipo de energia capaz de estabelecer comunicações cósmicas, a não ser a energia misteriosa do pensamento humano. Ora, se isso no campo das ciências, na aplicação prática das conquistas materiais tem uma grande significação, quanto maior é o significado quando colocamos essa tese no campo da religião! E, com referência a oração, a criatura que ora em silêncio, no seu casebre, no seu tugúrio, ou no seu palácio, que ora na rua, que ora em casa, que ora no campo, em um avião ou dentro de uma nave espacial, está emitindo ondas indestrutíveis de pensamento, ondas que superam as limitações de espaço e de tempo e que podem ser captadas em qualquer tempo, em qualquer momento, em qualquer lado da Terra ou fora da Terra.

Isso nos dá então, a confiança plena, atestada agora pelas novas conquistas científicas mais recentes, a confiança plena no poder da oração.

O pensamento atravessando as distâncias incomensuráveis do Cosmos, nos dá a segurança de que a oração pode ligar-nos apesar da nossa pequenez e da nossa humildade à grandeza e sublimidade do Criador!



(Discurso pronunciado pelo jornalista J. Herculano Pires, em nome da comunidade espírita, no decurso da sessão solene realizada no dia 12 de novembro de 1971 na Câmara Municipal, para comemorar o Dia da Oração).





Fonte: Editora Paidéia


http://www.editorapaideia.com.br/default.asp?id=10&acao=1&id_artigo=30

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A Mente em Ação

Mais graves que as viroses habituais são aquelas que têm procedência no psiquismo desvairado.

Por ser agente da vida organizada, a mente sadia propicia o desenvolvimento das micropartículas que sustentam com equilíbrio a organização somática, assim como, através de descargas vigorosas, bombardeia os seus centros de atividade, dando curso a desarmonias inumeráveis.
Mentes viciosas e pessimistas geram vírus que se alojam no núcleo das células, e as destruindo se espalham pela corrente sanguínea, dando surgimento a enfermidades soezes.

Além desta funesta realização, interferem na organização imunológica e, afetando-a, facultam a agressão de outros agentes destruidores, que desenvolvem síndromes cruéis e degenerativas.

Além dos vícios que entorpecem os sentimentos relevantes do homem, perturbando-lhe a existência, o tédio e o ciúme, a violência e a queixa, entre outros hábitos perniciosos, são responsáveis pela desestruturação física e emocional da criatura.

*
O tédio é resultado da ociosidade costumeira da mente acomodada e preguiçosa.

Matriz de muitos infortúnios, responde por neuroses estranhas e depressivas, culminando com o suicídio injustificável e covarde.

Entregue ao tédio, o paciente transfere responsabilidades e ações para os outros, deixam dose sucumbir na amargura, quando não se envenena pela revolta contra todos e tudo.

*

A mente, entregue ao ciúme, fomenta acontecimentos que gostaria se realizassem, afim de atormentar-se e atormentar, aprisionando ou perseguindo a sua vítima.

Por sua vez, desconecta os centros de equilíbrio, passando à condição de vapor dissolvente da confiança e do amor.

*

A violência é distúrbio emocional, que remanesce do primitivismo das origens, facultando o combustível do ódio, que se inflama em incêndio infeliz, a devorar o ser que o proporciona.

Quando isto não ocorre, dispara dardos certeiros nas usinas da emoção, que se destrambelha, gerando vírus perigosos que se instalam no organismo desarticulado e o vencem.

*
A queixa ressuma como desrespeito ao trabalho e aos valores alheios, sempre pronta a censurar e a fiscalizar os outros, lamentando-se, enquanto vapores tóxicos inutilizam os núcleos da ação, que se enferrujam e perdem a finalidade.

*

Há todo um complexo de hábitos mentais e vícios morais, prejudiciais, que agridem a vida e a desnaturam.

É indispensável que o homem se resolva por utilizar do admirável arsenal de recursos que possui, aplicando os valores edificantes a serviço da sua felicidade.

*

Vives consoante pensas e almejas. consciente ou inconscientemente.

Conforme dirijas a mente, recolherás os resultados.

Possuis todos os recursos ao alcance da vontade.

Canalizando-a para o bem ou para o mal, fruirás saúde ou doença.

Tem em mente, no entanto, que o teu destino é programado pela tua mente e pelos teus atos, dependendo de ti a direção que lhe concedas.

* * *


Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Felicidade.Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.Salvador, BA: LEAL, 1990.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O que é sexualidade?

Enéas Martim Canhadas

O que podemos entender por sexualidade?

Podemos, de uma maneira um tanto simplificada, entender a sexualidade quando estamos falando e pensando sobre as nossas sensações, sentimentos e emoções envolvendo a energia sexual. Para falar de energia sexual podemos nos referir à libido, se quisermos ser um pouco técnicos ou psicólogos no assunto. Libido vem do latim e quer dizer “desejo violento ou luxúria” Mas no sentido psicanalítico – a psicanálise foi criada por Freud – temos a energia motriz dos instintos de vida, portanto da conduta ativa e criadora do homem. Assim nos explica de forma bem acessível o dicionário Aurélio. Ou podemos falar de energias perispirituais enquanto força criadora presente em todos nós, espíritos em evolução passando por este plano. É claro que poderíamos apresentar outras definições, quer de tendências religiosas ou como explicação teórica e técnica sobre o assunto.

Quando estamos falando de sexualidade, não estamos falando de sexo?

É claro que sim. No entanto esses dois temas podem nos levar a destinos muito diferentes. Quando falamos ou tratamos de sexualidade estaremos pensando nas energias que são canalizadas no nosso corpo dessa maneira, isto é, na forma de sexualidade. Estaremos portanto falando, de nossos desejos, de nossas sensações prazerosas, de nossa compreensão sobre a maneira como sentimos e lidamos com as questões que envolvem essas energias. Estamos falando, por exemplo, de como nos relacionamos sexualmente, de como controlamos os nossos impulsos relativos ao sexo, de como podemos expressar a nossa sexualidade publicamente ou intimamente, de como estas manifestações alteram e interferem nas nossas vidas, de como sentimos tais energias nos nossos corpos e de como essa energia pode ser usada bem ou mau, construtiva ou de maneira desastrosa.
Já quando estamos falando do sexo, já estamos falando da prática do sexo exclusivamente. Aí então, falamos de sexo bom ou ruim, de sexo moralmente aprovado ou desaprovado, estamos falando da prática sexual simplesmente ainda que não tenha finalidades mais elevadas, falamos de sexo seguro, de sexo arriscado, de sexo depravado ou patológico e assim por diante.

Podemos entender a pornografia e outras tendências como fazendo parte da sexualidade?

Sim. Exatamente porque, a partir das definições que adotamos, fazem parte dos sentimentos libidinosos (ver libido) dos seres humanos e também são energias perispirituais. Embora a pornografia represente a prática do sexo moralmente reprovado, e do ponto de vista do psiquismo um sexo pervertido em muitos casos, são manifestações doentes da sexualidade que todos os seres humanos possuem. É como falar de agressividade, mas na forma manifesta de violência ou, por outro lado, de passividade.

A prática sexual entre pessoas do mesmo sexo, pode ser encarada como uma manifestação normal da sexualidade?

Você consideraria uma pessoa de personalidade orgulhosa ou arrogante, uma personalidade anormal ou doente? De outro modo, você trataria o teu filho que é muito egoísta, que não reparte o seu lanche da escola com ninguém, um filho anormal? Certamente que não. Você dirá que seu filho tem algumas distorções de comportamento e que precisa aprender a ser mais altruísta. Ou da pessoa orgulhosa, você dirá que deverá superar o seu orgulho e mostrar-se mais reconhecida de que todos temos qualidades e defeitos e que ela não é tão melhor do que os demais mortais, não é mesmo?
Vejamos de outra forma. André Luiz, em “No Mundo Maior” no capítulo 11 chamado “Sexo” diz: “Erro lamentável é supor que só a perfeita normalidade sexual, consoante as respeitáveis convenções humanas, possa servir de templo às manifestações afetivas. O campo do amor é infinito em sua essência e manifestação.” Insta fugir às aberrações e aos excessos; contudo, é imperioso reconhecer que todos os seres nasceram no Universo para amar e serem amados.”
Do ponto de vista do comportamento, portanto da Psicologia, o problema não se localiza exatamente no fato de ser ou não normal essa prática. O que observamos nos consultórios é que as pessoas, honesta e sinceramente, não sabem explicar porque existe dentro de si, o sentimento de afeto, paixão e amor por uma outra pessoa do mesmo sexo. Assim como você não saberá dizer porque sente prazer e atração pelo sexo oposto. Apenas irá dizer que acha isso normal. Acontece que, para as pessoas que sentem diferente também localizam dentro de si um sentimento normal, pois desde que se lembram, em outros casos, a partir de um momento qualquer, passaram a experimentar tais sentimentos.
Do ponto de vista da experiência evolutiva do espírito, não podemos deixar de pensar que se, evoluímos pelas mais diversas experiências que nos propusemos a viver neste plano, porque não certas pessoas também estarem passando por tais sentimentos como questões ainda importantes para serem vividas, compreendidas e superadas. E vejam bem, não estou dizendo aqui que superar é deixar de sentir-se atraído pelo sexo oposto, pois se assim fosse teria que dizer também que nascer mulher ou homem também seria uma experiência de superação dessa condição. Não é isso que nos ensina a doutrina Espírita, mas sim que temos de nascer como homens e mulheres como parte do amadurecimento do nosso espírito e para assim, evoluírmos no sentido dos espíritos iluminados que um dia, não serão mais regidos pelas energias sexuais divididas em masculinas e femininas.

Como podemos compreender o sexo antes do casamento? A doutrina Espírita dá suporte a esta prática?

Não se pode dizer que a doutrina Espírita dá suporte a esta ou àquela prática. No livro “Vida e Sexo” psicografado por Chico Xavier pelo Espírito Emmanuel, no capítulo que trata do “Compromisso Afetivo” encontramos: “Toda vez que determinada pessoa convide outra à comunhão sexual ou aceita de alguém um apelo neste sentido, em bases de afinidade e confiança, estabelece-se entre ambas um circuito de forças, pelo qual a dupla se alimenta psiquicamente de energias espirituais, em regime de reciprocidade.” É importante observar com que sabedoria e respeito ao livre arbítrio essas orientações nos são dadas. Adverte ainda o mesmo espírito que tais experiências, quando um dos parceiros lesa o outro na sustentação do equilíbrio emotivo, provoca a “ruptura no sistema de permuta das cargas magnéticas” e caso o parceiro que se sente prejudicado “não possua conhecimentos superiores na autodefensiva” pode entrar em pânico ou até mesmo chegar à delinqüência. Diante dessas afirmações podemos aprender que as questões fundamentais sobre o sexo antes do casamento não residem nas questões do certo e do errado ou se podem ou não fazer isto ou aquilo. Espíritos em evolução que somos, e sabedores de que possuímos o livre arbítrio, os problemas são de outra ordem e grandeza, como nos ensina ainda Emmanuel “quem estude os conflitos de sexo, na atualidade da Terra, admitindo a civilização em decadência, tão só examinando os absurdos que se praticam em nome do amor, ainda não entendeu que os problemas do equilíbrio emotivo são, até agora, de todos os tempos, na vida planetária.” Lembremos ainda o Livro dos Espíritos, no capítulo IV do livro Terceiro quanto ao “Casamento e Celibato” que a “união livre e fortuita dos sexos pertence ao estado de natureza” com isso nos alertando para um estágio de evolução ainda muito mais próximo do nosso estado anímico de que da nossa meta de seres da luz. O que nos é importante pensar e ter em mente é que somos Espíritos evolucionários e não cabe alguém ou algum código de ética ficar dizendo, ponto por ponto, o que devemos e o que não devemos fazer. A doutrina Espírita, sábia na sua maneira de amparar os nossos atos através das leis naturais que codificou, tem o mérito de mostrar através de quais mecanismos se faz tal evolução. No entanto, se desse suporte a uma ou outra prática, estaria tirando dos seres humanos a liberdade da evolução com todas as suas implicações. E finalmente, não existem experiências que devam ser recomendadas como mais eficientes para a evolução de quem quer que seja. A evolução é um processo, não um método para apressar os passos dos seres errantes que somos, caminhantes em marcha perene pelas sendas da eternidade.

A expressão da sexualidade é uma expressão de amor?

Na manifestação do amor, certamente encontramos a sexualidade. No entanto não podemos dizer que na sexualidade está presente o amor. “O sexo e o cérebro não são músculos, nem podem ser. Disso decorrem várias conseqüências importantes, das quais esta não é a menor: não amamos o que queremos, mas o que desejamos...” Quando André Comte Sponville faz tal afirmação está falando dessa junção inevitável: o amor ao sexo. Estamos falando, pois, do amor da carne. Estamos falando do amor que deseja o outro e que, geralmente, pensa que o possui. Mas será isto amor? O poeta Rilke tem algo precioso a nos ensinar sobre isso: “a volúpia carnal é uma experiência dos sentidos, análoga ao simples olhar ou à simples sensação com que um belo fruto enche a língua. É uma grande experiência sem fim que nos é dada; um conhecimento do mundo. (...) O mal não está em que nós a aceitemos; o mal consiste em quase todos abusarem dessa experiência...” Por essa forma de provar o sabor, caímos no risco de consumir o outro como consumimos a fruta apetitosa. Essa maneira de gostar torna-se nem um pouco virtuosa, não podendo ser aplicada a ninguém. O amor antes preserva. A sexualidade como expressão de amor está ligada, de forma irreversível, ao poder e a posse. Mais do que isso, o amor validado pela sexualidade, acaba se tornando uma espécie de afeto geográfico. Eu gosto tanto mais do outro quanto mais eu possuo do outro. Por isso, expressões como “ela será minha para sempre”, “ele é o meu homem” querem dizer isso mesmo enquanto pensam que tal coisa pode acontecer. Será muito triste o dia que descobrirem que nunca possuíram nada.
Existe o amor? Ou vivemos apenas paixões que confundimos com um suposto e imaginário sentimento de amar? São diferentes?

Do grego nós temos que existem três maneiras de amar: a carência (erôs) que abrasileiramos por “eros” mais ligado a idéia do amor sensual; o regozijo (philia) que é a alegria pela boa nova anunciada pelo Cristo que nos torna capazes até mesmo de amar os nossos inimigos. É a alegria pela amizade e pelas possibilidades de amarmos a todos; a caridade (agapé) que podemos entender como a forma mais completa do amor. E com tal respeito e verdade amarmos tanto e de tal modo que nem percebemos que o nosso semelhante sofre e por isso precisa receber a nossa ajuda. Não podemos ajudar só os que sofrem, isto é, a nossa evolução ainda vai nos levar ao dia em que tenhamos a caridade como manifestação espontânea e que não necessite de causa ou motivo para ser manifesta.
Enquanto estamos falando da idéia de amor associado a manifestações da sexualidade, estamos falando das paixões que, enganosamente, chamamos de amor. A paixão, enquanto amor, não existe. E o amor enquanto o fogo da paixão não pode ser chamado ou considerado como tal. No entanto, a sexualidade presta aí um grande serviço. Ela é um fogo que pode purificar os apaixonados e transformar os sentimentos, um dia, em amor. Difícil será encontrar no amor ao outro, misturado com a volúpia do sexo o amor que tanto se propaga. Provavelmente tais sentimentos não passam das frases que ouvimos a torto e a direito nas novelas. “Eu te amo” transformou-se numa frase de efeito, que teve validade apenas, para a cena mais emocionante do capítulo da noite passada, ou que servirá para depositarmos no personagem central do filme a nossa emotividade carente e que anseia por um imaginário ou desejado amor de verdade. Isso acontece porque, no íntimo, todos nós almejamos, um dia, encontrar o amor. De alguém por nós.
As manifestações da sexualidade no meu corpo explicam quando estou apaixonado(a) ou amando?

Não explicam mas anunciam. Acredito que por tudo que falamos, não tenha ficado uma noção limitante ou proibitiva da sexualidade. Antes, procuramos chamar a atenção quando, pelas proibições que temos dentro de nós através de uma educação ou moralismos falsos que nos fizeram temer a sensualidade e sentirmo-nos envergonhados frente a beleza, complicamos e colocamos obstáculos na nossa evolução para a compreensão das verdadeiras emoções dentro de nós. Voltamos a Emmanuel: “em nenhum caso, ser-nos-á lícito subestimar a importância da energia sexual que, na essência, verte da Criação Divina para a constituição e sustentação de todas as criaturas. Com ela e por ela é que todas as civilizações da Terra se levantaram, legando ao homem preciosa herança na viagem para a sublimação definitiva, entendendo-se, porém, que criatura alguma, no plano da razão, se utilizará dela, nas relações com outra criatura, sem conseqüências felizes ou infelizes, construtivas ou destrutivas, conforme a orientação que se lhe dê”.

Referências Bibliográficas:

Comte-Sponville, André, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, Edit. Martins Fontes, São Paulo, 1999.
Kardec, Allan, Livro dos Espíritos, FEESP, São Paulo.
Rilke, Rainer Maria, Cartas a Um Jovem Poeta, Edit. Globo, Porto Alegre, 1980.
Xavier, Francisco Cândido, ditado pelo espírito Emmanuel, Vida e Sexo, FEB, Rio de Janeiro.
_____________________, ditado pelo espírito André Luiz, No Mundo Maior, FEB, Rio de Janeiro.

Anotações sobre o termo Ciúme e suas implicações

CIÚME = sentimento de carência afetiva, desejo de posse, em relação a alguém ou a alguma coisa. Do latim: zelumen, de zêlus, cio, zelo.
Zelo = cuidado, desvelo ardente , zelus: transliteração do grego zêlos (objeto de emulação) zelador, zelante, zelar: ter zelo por, ter ciúmes de, cioso/zelote: que finge ter zelos. Dom latim zelotes derivado do grego: inveja (por amor)
cio = período de desejo sexual intenso dos animais. Do latim zêlus – ardor, ciúmes; cioso: ciumento, cuidadoso. Dicionário Etimológico Nova Fronteira.
Ciúme: sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infelicidade, fazem nascer em alguém; zelos. Emulação, competição; rivalidade. Despeito invejoso, inveja. Receio de perder alguém, alguma coisa; cuidado, zelo. Novo Dicionário Aurélio.
Em espanhol: celo = zelo: impulso íntimo que promove boas obras; amor extremo à glória de Deus e ao bem das almas; por extensão: cuidado com o bem de outras coisas ou pessoas; cio: manifestação de apetite sexual nos animais nas épocas de reprodução; esmero, suspeita, inquietação e receio, ciúmes, zelos. Dicionário Espanhol-Português, Porto Editora.

(Revista Literária Espírita DELFOS, Ano I nº 2)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Estudos Espíritas - Sexo


Joanna de Ângelis (espírito)

Conceito - Os lexicógrafos conceituam o sexo como sendo a "conformação particular do ser vivo que lhe permite uma função ou papel especial no ato da geração". Biologicamente, são os "caracteres estruturais e funcionais pelos quais um ser vivo é classificado como macho ou fêmea..."

A reprodução sexuada é condição inerente aos animais, e entre esses aos metazoários, sendo necessário particularizar como exceção alguns que são constituídos por organismos inferiores, cujos processos procriativos obedecem a leis especiais. Esse processo de reprodução entre os animais sexuados se dá, obedecendo à faculdade de elaboração de células próprias, tendo a Escola de Morgan, nas suas pesquisas, classificado e diferenciado as sexuais das somáticas, que são muito diferentes na constituição do organismo.

Fundamental na espécie humana para o "milagre" procriativo, é dos mais importantes fatores constitutivos da personalidade, graças aos ingredientes estimulantes ou desarmonizantes do equilíbrio, de que se faz responsável.

Considerando as conseqüências eugênicas, que o desbordar do abuso vem produzindo nas sucessivas gerações, pensam alguns estudiosos quanto à necessidade de ser aplicada a Eutanásia nos "degenerados", a fim de evitar-se um "crepúsculo genético", incorrendo, conseqüentemente, na realização de um hediondo "crepúsculo ético" de resultados imprevisíveis. Isto, porque o sexo tem sido examinado, apenas, de fora para dentro, sem que os mais honestos pesquisadores estejam preocupados em estudá-lo de dentro para fora, o que equivale dizer: do espírito para o corpo.
Aferrados a crasso materialismo em que se fixam, não se interessam esses estudiosos pela observância das realidades espirituais, constitutivas da vida, no que incidem e reincidem, por viciação mental ou simples processo atávico, em relação aos cientistas do passado.
O sexo, porém, queira-se ou não, nas suas funções importantes em relação à vida, procede do espírito, cujo comportamento numa existência insculpe na vindoura as condições emocionais e estruturais necessárias à evolução moral.

Desdobramento - A princípio, considerado instrumento de gozo puro e simples, através do qual ocorria a fecundação sem maiores cuidados, passou, nas Civilizações do pretérito, a campo de paixões exorbitantes, que, de certo modo, foram responsáveis pela queda de grandes Impérios, cujos governantes e povos, alçados à condição máxima de dominadores, permitiram-se resvalar pelas rampas do exagero encarregado de corromper os costumes e hábitos, amolentando caracteres e sentimentos, que culminaram na desagregação das sociedades, que chafurdaram, então, em fundos fossos de sofrimento e anarquia.

Perseguido e odiado após a expansão da Igreja Romana, transformou-se em causa de desgraças irreparáveis, que por séculos sucessivos enlutaram e denegriram gerações.

Pelas suas implicações na emotividade humana, a ignorância religiosa nele viu adversário soez que deveria ser destruído a qualquer preço, facultando sucessivas ondas de crimes contra a Humanidade, crimes esses que ainda hoje constituem clamorosos abusos de que o homem mesmo se fez vítima inerme.

Cultivado, depois, passou pelo período do puritanismo, em que a moral experimentou conceituação aberrante e falsa, dando lugar a nefandos conúbios de resultados funestos.

A Sigmund Freud, sem dúvida, o indigne médico vienense, deve-se a liberação do sexo, que vivia envolto em tabus e preconceitos, quando se propôs examiná-lo com vigorosa seriedade, tentando penetrar-lhe as nascentes, através do comportamento histérico e normal dos seus pacientes, tendo em vista a necessidade de elucidar as incógnitas de larga faixa dos neuróticos e psicóticos que lhe enxameavam a clínica, e desfilavam, desfigurados, padecendo sofrimentos ultrizes nos manicômios públicos.
Lutando tenazmente contra a ignorância dos doutos e a estultície dos ignorantes, arrostando as conseqüências da impiedade e da má-fé da maioria aferrada ao dogmatismo chão e às superstições a que se vinculavam, teve o trabalho grandemente dificultado, vendo-se obrigado ao refúgio do materialismo, transferindo para a libido a responsabilidade por quase todos os problemas em torno da neurose humana. Graças a isso, passou a ver o sexo em tudo, pecando, por ocasião da elaboração das leis da Psicanálise, pelo excesso de tolerância a respeito do comportamento sexual, no que classificou inibições, frustrações, castrações e complexos do homem como sendo seus próprios problemas sexuais... Os cooperadores de Freud alargaram um pouco mais os horizontes da análise, sem contudo, detectarem no espírito as nascentes das distonias emocionais das variadas psicopatias...
Com a Era Tecnológica, ante as novas realidades sociais, graças à "civilização de consumo", o sexo abandonou o recato, a pudicícia, para ser trazido à praça da banalização com os agravantes do grosseiro desgaste do seu valor real, num decorrente barateamento, incidindo na vida da comunidade ao impacto dos veículos de comunicação com o poder da sua ciclópica penetração, da maneira destruidora, aniquilante...
Elevado à condição de fator essencial em tudo, é agora razão de todos os valores, produzindo mais larga faixa de desajustados, enquanto se faz mais vulgar, mais mesquinho, mais brutalizado...
Problemas de exigência psiquiátrica, distonias de realidade esquizóide, gritando urgência de terapêutica especializada, defecções morais solicitando disciplina, educação e reeducação constituem manchetes da leviandade, como se fossem esses ou reais processos da vida e a reflexão como o equilíbrio passassem a expressões de anomalia carecente de execração...

Transsexualismo e heterossexualidade expulsos dos porões sórdidos da personalidade humana doentia, deixaram as salas hospitalares e os pátios dos frenocômios para os desfiles das ruas, acolitados por desenfreada sensualidade, através de cujos processos mais aumentam as vagas do desequilíbrio.

Incontestavelmente impressos nos painéis do psicossoma os comprometimentos morais em que o ser se emaranhou, estes impõem a necessidade da limitação, como presídio de urgência, no homosssexualismo, no hermafroditismo, na frigidez e noutros capítulos da Patologia Médica, nos casos dos atentados ao pudor, traduzindo todos eles o impositivo da Lei Divina que convoca os infratores ao imperioso resgate, de modo a que se reorganizem nesta ou naquela forma, masculina ou feminina, a fim de moralizar-se, corrigir-se e não se corromper, mergulhando em processos obsessivos e alucinatórios muito mais graves, que logo mais padecerão...

Sexo e Espiritismo - Ante quaisquer problemas de ordem sexual, merece considerar-se a importância da vida, das leis de reprodução, contribuindo para o fortalecimento das estruturas espirituais na construção da paz interior de cada um.

Frustração, ansiedade, exacerbação, tormento, tendências inversas e aflições devem ser solucionados, do espírito em processo de reajuste ao corpo em reparação.

Mediante a terapêutica da prece e do estudo, da aplicação dos passes e do tratamento desobsessivo, a par de assistência psicológica ou psiquiátrica correta, os que se encontram comprometidos com anomalias do corpo ou da emoção, recuperam a serenidade, reparam os tecidos ultra-sensíveis do perispírito, reestruturando as peças orgânicas para a manutenção do equilíbrio na conjuntura reencarnatória.

A preservação da organização genésica na faculdade sublime das suas finalidades impõe-se como dever imediato para a lucidez do homem convocado ao erguimento do Novo Mundo de amor e felicidade a que se refere o Evangelho e o Espiritismo confirma, através do bem a espalhar-se hoje por toda parte, repetindo a moral do Cristo, insubstituível e sempre atual.

Estudo e Meditação:

"Que efeito teria sobre a sociedade humana a abolição do casamento?

Seria uma regressão à vida dos animais."

"Qual das duas, a poligamia ou a monogamia, é mais conforme à lei da Natureza?

A poligamia é lei humana cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se unem. Na poligamia não há afeição real: há apenas sensualidade." (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questões 696 e 701.)

"Para ser mais exato, é preciso dizer que é o próprio Espírito que modela o seu envoltório e o apropria às suas novas necessidades; aperfeiçoa-o e lhe desenvolve e completa o organismo, à medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades; numa palavra, talha-o de acordo com a sua inteligência. Deus lhe fornece os materiais; cabe-lhe a ele empregá-los. É assim que as raças adiantadas têm um organismo, ou se quiserem, um aparelhamento cerebral mais aperfeiçoado do que as raças primitivas. Desse modo igualmente se explica o cunho especial que o caráter do Espírito imprime aos traços da fisionomia e às linhas do corpo." (A Gênese, Allan Kardec, cap. XI, item 11.)

Texto extraído do livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de Ângelis.

domingo, 6 de julho de 2008

As Drogas e suas Implicações Espirituais


Xerxes Pessoa De Luna
I— Introdução
Um dos problemas mais graves da sociedade humana, na atualidade, é o consumo indiscriminado e, cada vez mais crescente, das drogas por parte não só dos adultos, mas, também, dos jovens e lamentavelmente até das crianças, principalmente nos centros urbanos das grandes cidades.
A situação é tão preocupante, que cientistas de várias partes do Planeta, reunidos, chegaram à seguinte conclusão: “Os viciados em drogas de hoje podem não só estar pondo em risco seu próprio corpo e sua mente, mas fazendo uma espécie de roleta genética, ao projetar sombras sobre os seus filhos e netos ainda não nascidos.”
Diante de tal flagelo e de suas terríveis conseqüências, não poderia o Espiritismo, Doutrina comprometida com o crescimento integral da criatura humana na sua dimensão espírito-matéria, deixar de se associar àqueles segmentos da sociedade que trabalham pela preservação da vida e dos seus ideais superiores, em seus esforços de erradicação de tão terrível ameaça.
O efeito destruidor das drogas é tão intenso que extrapola os limites do organismo físico da criatura humana, alcançando e comprometendo, substancialmente, o equilíbrio e a própria saúde do seu corpo perispiritual. Tal situação, somada àquelas de natureza fisiológica, psíquica e espiritual, principalmente as relacionadas com as vinculações a entidades desencarnadas em desalinho, respondem, indubitavelmente, pelos sofrimentos, enfermidades e desajustes emocionais e sociais a que vemos submetidos os viciados em drogas.
Em instantes tão preocupantes da caminhada evolutiva do ser humano em nosso planeta, cabe a nós espíritas, não só difundir as informações antidrogas que nos chegam do plano espiritual benfeitor que nos assiste, mas, acima de tudo, entender e atender aos apelos velados que estes amigos espirituais nos enviam com seus informes e relatos contrários ao uso indiscriminado das drogas, no sentido de envidarmos esforços mais concentrados e específicos no combate às drogas, quer no seu aspecto preventivo, quer no de assistência aos já atingidos pelo mal.
II — A ação das drogas no perispírito
Revela-nos a ciência médica que a droga, ao penetrar no organismo físico do viciado, atinge o aparelho circulatório, o sangue, o sistema respiratório, o cérebro e as células, principalmente as neuroniais.
Na obra “Missionários da Luz” — André Luiz (pág. 221 — Edição FEB), lemos: “O corpo perispiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente radicado no sangue. O sangue é elemento básico de equilíbrio do corpo perispiritual.” Em “Evolução em dois Mundos”, o mesmo autor espiritual revela-nos que os neurônios guardam relação íntima com o perispírito.
Comparando as informações destas obras com as da ciência médica, conclui-se que a agressão das drogas ao sangue e às células neuroniais também refletirá nas regiões correlatas do corpo perispiritual em forma de lesões e deformações consideráveis que, em alguns casos, podem chegar até a comprometer a própria aparência humana do perispírito. Tal violência concorre até mesmo para o surgimento de um acentuado desequilíbrio do Espírito, uma vez que “o perispírito funciona em relação a este, como uma espécie de filtro na dosagem e adaptação das energias espirituais junto ao corpo físico e vice-versa.
Por vezes o consumo das drogas se faz tão excessivo, que as energias, oriundas do perispíríto para o corpo físico, são bloqueadas no seu curso e retornam aos centros de força.
III — A ação dos Espíritos inferiores junto ao viciado
Esta ação pode ser percebida através das alterações no comportamento do viciado, dos danos adicionais ao seu organismo perispiritual, já tão agredido pelas drogas, e das conseqüências futuras e penosas que experimentará quando estiver na condição de espírito desencarnado, vinculado a regiões espirituais inferiores.
Sabemos que, após a desencarnação, o Espírito guarda, por certo tempo, que pode ser longo ou curto, seus condicionamentos, tendências e vícios de encarnado. O Espírito de um viciado em drogas, por exemplo, em face do estado de dependência a que ainda se acha submetido, no outro lado da vida, sente o desejo e necessidade de consumir a droga. Somente a forma de satisfazer seu desejo é que irá variar, já que a condição de desencarnado não lhe permite proceder como quando na carne. Como Espírito precisará vincular-se à mente de um viciado, de início, para transmitir-lhe seus anseios de consumo da droga, posteriormente para saciar sua necessidade, valendo-se para tal do recurso, ou da vampirização das emanações tóxicas impregnadas no perispírito do viciado ou da inalação dessas mesmas emanações quando a droga estiver sendo consumida.
“O Espírito de um viciado em drogas, em face do estado de dependência a que se acha submetido, no outro lado da vida, sente a desejo e a necessidade de consumir a droga”
Essa sobrecarga mental, indevida, afeta tão seriamente o cérebro, a ponto de este ter suas funções alteradas, com consequente queda no rendimento físico, intelectual e emocional do viciado. Segundo Emmanuel, “o viciado ao alimentar o vício dessas entidades que a ele se apegam, para usufruir das mesmas inalações inebriantes, através de um processo de simbiose em níveis vibratórios, coleta em seu prejuízo as impregnações fluídicas maléficas daqueles, deixando o viciado enfermiço, triste, grosseiro, infeliz, preso à vontade de entidades inferiores, sem o domínio da consciência dos seus verdadeiros desejos”.
IV — Contribuição do Centro Espírita no trabalho antidrogas desenvolvido pelos
Benfeitores Espirituais
As Casas Espíritas, como Pronto-Socorro espirituais, muito podem contribuir com os Espíritos Superiores no trabalho de prevenção e auxílio às vítimas das drogas nos dois lados da vida. Com certeza, esta contribuição poderia ocorrer através de medidas que, no dia-a-dia da instituição ensejassem:
Um incentivo cada vez mais constante às atividades de evangelização da infância e da juventude, principalmente com sua implantação, caso a Instituição ainda não o tenha implantado.
Estimular seus freqüentadores, em particular a família do viciado em tratamento, à prática do Evangelho no Lar. Estas pequenas reuniões, quando realizadas com o devido envolvimento e sinceridade de propósitos, são fontes sublimes de socorro às entidades sofredoras, além, naturalmente, de concorrer para o estreitamento dos laços afetivos familiares, o que decerto estimulará o viciado, por exemplo, a perseverar no seu propósito de libertar-se das drogas ou a dar o primeiro passo nesse sentido.
Preparar devidamente seu corpo mediúnico para o sublime exercício da mediunidade com Jesus, condição essencial ao socorro às vítimas das drogas, até mesmo as desencarnadas.
No diálogo fraterno com o viciado e seus familiares, sejam-lhes colocados à disposição os recursos socorristas do tratamento espiritual: passe, desobsessão, água fluidificada e reforma íntima.
Criar, no trabalho assistencial da Casa, uma atividade que enseje o diálogo, a orientação, o acompanhamento e o esclarecimento, com fundamentação doutrinária, ao viciado e a seus familiares.
V — Conclusão
Diante dos fatos e dos acontecimentos que estão a envolver a criatura humana, enredada no vício das drogas, geradores de tantas misérias morais, sociais, suicídios e loucuras, nós, espíritas, não podemos deixar de considerar esta realidade, nem tampouco deixar de concorrer para a erradicação deste terrível flagelo que hoje assola a Humanidade. Nesse sentido, urge que intensifiquemos e aprimoremos cada vez mais as ações de ordem preventiva e terapêutica, já em curso em nossas Instituições, e que, também, criemos outros mecanismos de ação mais específicos neste campo, sempre em sintonia com os ensinamentos do Espiritismo e seu propósito de bem concorrer para a ascensão espiritual da criatura humana às faixas superiores da vida.
Revista Reformador - Março - 1998