sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Ectoplasmia

A ectoplasmia, conhecida de modo mais popular como fenômeno de materialização, pelos estudos e experiências criteriosas realizadas há um século aproximadamente, ainda vem despertando o mais expressivo interesse da área cientifica. Foi Charles Richet quem utilizou a denominação diante das pesquisas realizadas em sua época.
A parapsicologia, com os conhecimentos dos dias atuais, tem por obrigação fazer a abordagem da temática, no capitulo dos fenômenos psi-theta. Devido à existência de inúmeros fatos, a ectoplasmia não pode ser relegada ao desconhecimento ou mesmo à falta de interesse, como desejam algumas posições sectaristas.
A ciência avalia os fenômenos de ectoplasmia com desconfiança. Como todo fenômeno psi-theta, a ectoplasmia não pode ser controlada de acordo com as diretrizes e vontade do pesquisador. Essa fenomenologia, em que os agentes psi-theta (Espíritos) participam, é quase sempre fugaz, de difícil abordagem e controle, pela presença de inúmeros fatores que se desenvolvem em dimensão diversa daquela que a metodologia cientifica pode avaliar e controlar.
Laboraram nestes fatos inúmeros pesquisadores, dos quais lembramos: Albert Coste, em 1895; Alexandre Aksakof (1832-1903), em 1895; Paul Gibier (1851-1900), em 1998; William Crookes (1832-1919), em 1899; Gabriel Delanne (1857-1926), em 1909 e 1911, e muitos outros.
Os autores são categóricos em afirmar a inconteste existência dessa mecânica, na qual dois elementos entram, indiscutivelmente, no processo: o ectoplasma e o agente orientador para que a moldagem se observe. De um lado, a matéria ectoplásmica, fugaz e vaporosa e, do outro, o campo organizador da forma (campo espiritual), as espessas do qual o ectoplasma se distribui em adequada moldagem.
O VOCÁBULO ECTOPLASMIA PASSA A DEFINIR, com mais precisão do que o termo materialização, a formação de objetos e pessoas em ambiente apropriado, às expensas da substancia especifica doada pelos sensíveis ou médiuns (ectoplasma; do grego ektós, por fora; plasma, molde ou substância). Devemos fazer diferença ente o termo ectoplasma empregado em biologia – para designar a região mais eterna do protoplasma celular – e o significado parapsicológico do presente escrito.
O ectoplasma é substancia amorfa, vaporosa, com tendência a solidificação pela evolução do fenômeno, tomando forma por influencia de um campo organizador especifico. Facilmente fotografado, de cor branco-acinzentado, vai desde a névoa transparente à forma tangível, de aspecto semelhante aos tecidos vivos, oferecendo sensação de viscosidade e frieza.
O ectoplasma foi analisado por vários pesquisadores, dos quais destacamos as seguintes conclusões:
1 – Dr. V. Dombrowsky (Varsóvia); “O ectoplasma está constituído de matéria albuminóide, acompanhado de gordura e de células tipicamente orgânicas. Não forma encontrados amiláceos e açucares”.
2 – Dr. Francês (Munique); “Substancia constituída de inúmeras células epiteliais, leucócitos e glóbulos de gordura”.
3 – Dr. Albert Scherenk-Notzing, citado por Charles Richet; “O ectoplasma está cosntituido por restos de tecido epitelial e gorduras”.
4 – Dr. Hernani G. Andrade; “O ectoplasma é substancia formada com recursos da natureza, originando-se dos tecidos vegetais (ectofiloplasma) de origem animal (ectozooplasma) e de origem mineral (ectomineroplasmal)”.
Muitos autores que analisaram a substancia encontraram células anucleadas em sua constituição. O ectoplasma seria substancia originária no protoplasma das usinas celulares, onde o ATP (trisfosfato de adenosina) teria expressiva participação, ao lado de outros elementos. Dessa forma, não podemos deixar de considerar a importância do fósforo nas atividades bioquímicas orgânicas e, conseqüentemente, no desenvolvimento do processo ectoplásmico em suas especificas dosagens.
NO DIZER DO PROFESSOR ALDEMAR BRASIL: “Em sítese, o ATP – que equivale por cada ligação piro-fosfática desgarrada de sua molécula, a mais ou menos 7.500 kcal – é a unidade usada em biologia para expressar a transferência de energia oriunda do ciclo de Krebs, e de outras fontes. No ciclo de Krebs, também denominado de ciclo dos ácidos tricarboxílicos, a energia é libertada pela transferência de elétrons para a cadeia respiratória, provindos de substratos em que o hifrogenio é ativado, desgarrado e transportado com seu eletron até o oxigênio, também atiçado ao receber esses elétrons, formando-se, então, a água. Para tanto, no ciclo de Krebs, há processos de descarbolização, desidrogenação, etc., operados por enzimas especificas ativadas por coenzimas determinadas”.
Qual o mecanismo criativo do eclotoplasma na organização do agente doador (sensível ou médium)? Claro que seria uma condensação energética apropriada transformando-se em matéria. A informação de André Luiz em AMecanismos da Mediunidade é bastante lógica e sensata: “O ectoplasma resulta de um processo de desagregação molecular formado por forças desconhecidas, ao mesmo tempo em que o fenômeno fica sob controle de campos de forças organizadoras capares de reagrupar as moléculas segundo um modelo determinado”.
O fenômeno de ectoplasmia, é preciso que se diga, é fenômeno de plasmagem e não de criação de matéria. A plasmagem se dará às expensas da substancia (energia) fornecida pelo médium que, pouco a pouco, atingirá o processo de condensação, voltando à sua fonte por mecanismo inverso. Temos como certo, também, que o ectoplasma é substancia que, além de fornecida pela organização humana (médium), será plenamente enriquecida (completada) com outros elementos da natureza, provindos dos vegetais e de outras matérias orgânicas de origem animal, numa especifica arregimentação.
Os chamados processos de ectoplasmia investem complexa mecânica, de difícil avaliação pelos atuais métodos que a ciência pode oferecer. Para que o fenômeno se observe e seja bem equacionado, haverá necessidade de lembrarmos o conceito de Claude Bernard de que na usina celular opera-se a totalidade dos fenômenos vitais, muitos dos quais transcendem a avaliação pelos nossos sentidos. A maioria desses fenômenos bioquímicos, mormemente de esfera da ectoplasmia, estaria ligada aos compostos fosforados e suas correlações com as enzimas e hormônios.
NO NÚCLEO CELULAR EXISTIRIAM FONTES específicas de energia, ligadas ao ADN e ARN (ácido desoxirribonucléico e ribonucléico), a comandarem os processos metabólicos mais expressivos no soalho protoplasmático. O elemento participante ativo desse processo de formação de energias no corpo celular seria o ATP (trifosfato de adenosina), resultante do ciclo de Krebs. O ATP, sendo a fonte primordial de energia nos processos celulares, estaria comprometido na formação do ectoplasma. Esse processo de doação do ATP traduziria uma “qualidade especifica” do médium na manifestação da fenomenologia paranormal de efeitos físicos.
Haveria, neste caso, por intermédio das organizações celulares, uma maior irradiação dessas energias, que se tornariam mais expressivas nas reuniões destinadas a esse tipo de trabalho. Isto mostraria a influencia dos participantes da equipe (encarnados e desencarnados) concorrendo no maior fornecimento da substancia ectoplasmática por parte dos que apresentam essa possibilidade. Quando a quantidade de substancia irradiativa fosse bem expressiva, já fora da fonte de origem, poderiam mostrar-se sob forma gasosa visível (nuvem), por um processo de condensação, constituindo material especializado e com possibilidade de aproveitamento nos mecanismos em pauta.
No denominado passe energético, muito utilizado nas casa espíritas sob forma de fluidoterapia, acreditamos que esses elementos de irradiação, devidamente elaborados pelo psiquismo, carregam em seu bojo quase que especificamente energias originárias no ATP da usina celular. Ainda mais, este material de doação energética, passando à dimensão física por condensação, poderá ser aproveitado pelas Entidades Espirituais na vestidura de seus campos de forças nos trabalhos especializados da ectoplasmia.
Assim, essa substancia, o ATP, deverá fazer parte do ectoplasma e, à medida que o processo se desenvolve por condensação, vai oferecendo as naturais modificações químicas pela queima da molécula fosfórica que permitiria a ectoplasmia luminosa; por tudo, podemos avaliar a importância do fósforo, em suas múltiplas combinações, no mecanismo da ectoplasmia.

ESCLARECEMOS QUE O PROCESSO DA ECTOPLASMIA revelando o aparecimento de um ser humano (Espírito envolto no ectoplasma) não representa exclusivamente a vestidura com ATP. Haveria na massa ectoplásmica, em sua cosntituição, pelo alto teor de energias que carrega consigo, outros elementos orgânicos das próprias células ou mesmo substancias arrecadadas na natureza, em especificas reações químicas às expensas de equipes espirituais que participem do processo.
Chepelle descobriu que o mecanismo de emissão de luz dos pirilampos (vaga-lumes) estaria ligado a uma enzima, a luciferase, quando oxidada pela luciferina. Neste mecanismo, não haveria participação ativa do ATP celular? Não existiria, neste processo, uma correlação, pela reações afins, de doação de energias embora em degrau bioquímico diverso, com a mecânica da ectoplasmia?
Na ectoplasmia, a bioquímica seria mais avançada, e deverá existir uma participação toda especial das camadas profundas do psiquismo do doador, sem que a vontade e o raciocínio da zona superficial ou consciente possam interferir. Isso não quer dizer que a zona do inconsciente ou espiritual do doador ou médium seja a responsável pelo processo ectoplásmico, mas uma zona orientadora dos mecanismos psicológicos e parapsicológicos.
Só haverá ectoplasmia de um ser humano quando o campo inteligente do agente psi-theta, ou campo espiritual, comandar o processo. O inconsciente ou psiquismo de profundidade do médium dirige o seu próprio metabolismo e quimismo, mas nunca a moldagem externa do objeto. A substancia ectoplasmica, ao definir a morfologia humana, terá que sofrer a influencia orientadora dos vórtices inteligentes do agente modelador que, de acordo com a necessidade e possibilidade, traduziu o processo de modo parcial ou total, a fim de atingir a sua finalidade.
As variedade de ectoplasmia são inúmeras e com tonalidades especificas. Existem moldagens tão marcantes da parte do doador (médium) que o campo modelador não consegue efetivar com precisão as suas próprias características, mostrando semelhança com o corpo do médium; é como se o médium reforçasse o mecanismo com substancia pré-moldada, isto é, como se o seu corpo astral (matéria orgânica especifica irradiante) fosse projetado na massa ectoplasmica em processamento. Isso tem criado muita celeuma quanto à validade do processo. Aqui não cabe a discussão do problema.
Além das variedades parciais ou totais, a ectoplasmia poderá ser opaca ou luminosa. Neste ultimo caso, pela iluminação da forma em exposição devido à queima do fósforo, será apreciada com detalhes, pela nossa visão, a aparição. Sabemos que os processos de ectoplasmia, em sua maioria, necessitam da ausência de luz branca para a sua realização; esta como que desorganiza o processo, o que não acontece com a faixa luminosa do vermelho, até recomendado nas câmaras de ectoplasmia.
Concluindo, a ectoplasmia encontraria no ATP das células umas das substancias especificas paras as próprias moldagens. E estas só seriam possíveis com a presença do campo-organizador-orientador do agente psi-theta ou Campo Espiritual.

Dr. Jorge Andréa
Fonte: Revista Espiritismo e Ciência 13, páginas 10-41

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

ESPÍRITAS E ESPIRÓLAS

Por Joana Abranches
Já faz algum tempo, uma antiga vizinha sem papas na língua, me vendo sempre às voltas com atividades na Casa Espírita, um dia não resistiu e em meio a uma conversa acabou "soltando" que eu era "muito carola!" Levando a coisa na farra, tentei argumentar: - "Mas eu sou espírita e não católica..." Ela aí não titubeou: - "Então é espiróla."

O pitoresco virou piada, mas trouxe à tona uma séria questão. Até onde nós, espíritas, estaremos descambando para o igrejismo e a superficialidade?

Temos visto Grupos tão obcecados com assiduidade e pontualidade, tão cheios de regras, critérios, exigências e uma intolerância tal, que mais parecem a velha e inquisitorial igreja romana da idade média que oficinas fraternas de estudo e vivência do Evangelho de Jesus.

Onde foi que perdemos o rumo da fraternidade? Que paramentos invisíveis ainda nos fazem oscilar entre a pseudo-superioridade dos sacerdotes e a submissão dos beatos?

Em um dos costumeiros papos fraternos com meu saudoso amigo Palhano Jr., uma vez questionei: - Por que será que os espíritas se digladiam tanto por cargos, até mesmo naqueles grupos minúsculos que ficam lá onde Judas perdeu as botas?.... Bem humorado, como sempre, ele me respondeu com uma risadinha marota: - "A briga é pelo poder sobre as almas, minha cara. Muitos espíritas ainda se alimentam da autoridade clerical que tinham, quando nas fileiras do catolicismo. O poder vicia."

Para esse autoritarismo rançoso, o que não faltam são defesas equivocadas. Afinal, Emmanuel recomendou: "Disciplina, disciplina, disciplina." Foi o bastante para que instruções superiores, aplicadas a um contexto específico, se tornassem o jargão justificador da inflexibilidade fria que campeia em nosso meio e que vem transformando nossas instituições - destinadas a ser escolas do amor - em verdadeiros quartéis de controle e enquadramento. E quantos exageros em nome da disciplina...

Certa vez, uma palestrante habitualmente pontual, chegou à nossa reunião pública em cima da hora. Estava mortificada.. Por mais que tentássemos deixá-la à vontade, repetia sem parar que "a espiritualidade tem horário a cumprir." Naquela noite o seu desempenho, obviamente, não foi dos melhores. Porém, é perfeitamente compreensível a reação da companheira. Ocorre que se os dirigentes espirituais levam em conta que estamos na matéria, sujeitos a limitações e imprevistos comuns à vida terrena, os dirigentes encarnados, em grande maioria, não o fazem. Numa afirmação de poder, até mesmo inconsciente, sobretudo com relação aos médiuns, insistem em generalizar, e saem por aí a prodigalizar suspensões ou prescrições de inumeráveis passes e palestras doutrinárias, até que o faltoso ou atrasadinho, supostamente reequilibrado, mas no fundo, punido, possa então reconquistar a permissão de voltar às atividades.... Haja penitência!

Façamos o dever de casa. No Livro dos Médiuns, cap.XXIX, top. 333, ao tratar das reuniões espíritas, o codificador é muito claro: "Se bem que os espíritos prefiram a regularidade, os verdadeiramente superiores não são meticulosos a este ponto. A exigência de uma pontualidade rigorosa é um sinal de inferioridade, como tudo o que é pueril."

É preocupante, também, a falta de naturalidade com que as pessoas tem se comportado no ambiente espírita. Observa-se uma despersonalização e um formalismo alarmantes, em lugar da camaradagem espontânea que deveria existir entre irmãos. Não raro, rir e brincar inter-reuniões parece ser, implícita ou explicitamente, proibido: - "Quebra a vibração." Cada vez mais, os cumprimentos espontâneos e afetivos tem dado lugar a frases feitas, piegas e que soam muito falso. Na fala, como na escrita, temos substituído expressões carinhosas e simples do cotidiano por uma linguagem impessoal, "santificada" e obsoleta, incompatível com os novos tempos. Ah, as palavras ensaiadas... Os gestos contidos... Ladainhas do passado, ainda tão presentes, a nos distrair de nós mesmos...

Nas Casas Espíritas, dirigentes preocupados apenas em dirigir e coordenadores tão somente concentrados em coordenar, esquecem o essencial: AMAR. Casas se agigantam e pessoas viram número, em ambientes tão impecáveis quanto frios. Alguém notou a tristeza daquele companheiro ou a ausência daquele outro? Ocupados em crescer, no quantitativo, ignoramos Kardec a recomendar grupos pequenos e o alerta do próprio Chico, que já dizia: - "Em Casa que muito cresce o amor desaparece."

Perdidos numa burocracia sem sentido, senhas e formulários vão aos poucos tomando o lugar do coração e transformando nossos atendimentos fraternos em patética mistura de clínica psicológica e confessionário, onde o indivíduo precisa seguir à risca as etapas cronometradas do tratamento para obter "alta" ou "absolvição." Assim, desorientados orientadores, em tom grave e superior, seguem dando receitas iguais para problemas diferentes. Alguém sofreu uma perda e busca notícias do ente querido desencarnado? Que vá "baixar" noutro Centro, porque nos mais ortodoxos ouvirá rispidamente que o telefone só toca "de lá pra cá" e fim. A alegação é que a mediunidade não está a serviço de problemas "domésticos" e sim de coisas mais sérias. Valei-me Chico Xavier! Quanta saudade da mediunidade a serviço do amor, do consolo aos desesperados de toda a sorte....

Nas reuniões públicas, companheiros carrancudos às portas das cabines de passe chamam com voz cavernosa: - Os próximos! E aquele que está indo pela primeira vez fica a imaginar que ritual terrível deve acontecer naquela salinha escura onde todos entram cabisbaixos, como bois para o matadouro. Diretores severos, após comoventes preces, olham por baixo dos óculos com olhar de censura para a mãe de alguma criança que chora, ou pedem que se retire. Médiuns coreografados sincronizam movimentos como se fossem clones uns dos outros. Qualquer semelhança com farisaísmo, lamentavelmente, não será mera coincidência.

Na Evangelização, criança que chega atrasada volta; Se falta muito é cortada; Mesmo aquela que mais precisa da orientação e do pão. A mãe, senhora simplória assistida pelo Grupo e que muitas vezes sequer tem o dinheiro da passagem, ouve um duro sermão de alguém que ignora a sua difícil realidade. Normas são normas. Quem negligenciar a freqüência dos filhos não tem direito a cesta básica. O tom é incisivo. Muitos dirão que é necessário usar estratégias para evangelizar "os nossos irmãos que mais precisam". Talvez tenham razão... Parece que só os espíritas já não precisam mais do Evangelho...

Navegantes desatentos às ciladas da superfície, não percebemos o risco de naufrágio iminente. Parecemos surdos à conclamação do Espírito de Verdade: -"Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento" - E indiferentes à terna advertência de José, Espírito Protetor, a nos lembrar que "a indulgência atrai, acalma, reergue, ao passo que o rigor desencoraja, afasta e irrita."Até quando continuaremos atraídos pelo canto da sereia?

Há que se ter humildade para repensar nossas práticas doutrinárias, reconhecer equívocos, resgatar a doutrina simples e libertária de Jesus. Há que se ter coragem para mudar, para substituir a frieza dogmática que tem nos engessado pela convivência fraterna, calorosa e solidária que nos identificará, de fato, como cristãos redivivos.

Espíritas ou "espirólas"... O que temos sido? O que realmente queremos ser? Cada um se perceba e se responda.

Ainda há tempo.

*Joana Abranches é Assistente Social, escritora e Presidente da Sociedade Espírita Amor Fraterno Vitória/ES

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Chico Xavier - o Filme

É com grande alegria que exibimos abaixo um pequeno trailer do filme sobre a vida do grande médium e trabalhador do Cristo, Chico Xavier, que será lançado em Abril de 2010. Uma produção impecável que divulgará o trabalho mediúnico da Doutrina Espírita na pessoa desse grande missionário da 3ª Revelação. Está é mais uma iniciativa que fará com que as pessoas conheçam a beleza do Consolador Prometido. Vibremos em conjunto para que os produtores possam reproduzir com fidelidade e êxito os passos da vida do saudoso Chico e façamos a nossa parte na divulgação desse projeto cinematográfico.



video

domingo, 5 de julho de 2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

Canal de TV Espírita - Novidade TVCEI

O dia 17 de junho de 2009 acaba de entrar para a história do Espiritismo. Após três anos fazendo televisão espírita pela internet, a TVCEI inicia as suas transmissões via satélite para todo o Brasil e América do Sul pelo sistema digital. Com uma programação variada e uma linguagem moderna e dinâmica, trouxemos o potencial que a tecnologia nos oferece em prol da divulgação do Espiritismo.

Essa é mais uma conquista do Conselho Espírita Internacional, dos milhares de internautas que nos acompanham mas, principalmente, da Doutrina Espírita, que ganha o seu canal de TV.

Divulgue esta novidade para todos os seus amigos!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Kio estas Esperanto? (O que é o Esperanto?)


http://www.kurso.com.br/ (Curso de Esperanto)

http://www.lernu.net/ (Site de aprendizado da língua)


O esperanto é a língua planejada mais vastamente falada. Ao contrário da maioria das outras línguas planejadas, o esperanto saiu dos níveis de projeto (publicação de instruções) e semilíngua (uso em algumas poucas esferas da vida social).

Seu iniciador, Ludwik Lejzer Zamenhof, publicou a versão inicial do idioma em 1887, com a intenção de criar uma língua de muito fácil aprendizagem, que servisse como língua franca internacional, para toda a população mundial (e não, como muitos supõem, para substituir todas as línguas existentes).

O esperanto é empregado em viagens, correspondência, intercâmbio cultural, convenções, literatura, ensino de línguas, televisão e transmissões de rádio. Alguns sistemas estatais de educação oferecem cursos opcionais de esperanto, e há evidências de que auxilia no aprendizado dos demais idiomas.

História

Ludwik Lejzer Zamenhof vivia em Bialystok (atualmente na Polônia, na época Império Russo). Em Bialystok moravam muitos povos e falavam-se muitas línguas, o que dificultava a compreensão, mesmo nas mais cotidianas situações, o que o motivou a criar uma língua auxiliar neutra, a fim de solucionar o problema.

Durante a adolescência, criou a primeira versão da “lingwe universala”, uma espécie de esperanto arcaico. O seu pai, entretanto, fê-lo prometer deixar de trabalhar no seu idioma para se dedicar aos estudos. Zamenhof então foi para Moscovo estudar medicina. Em uma de suas visitas à terra natal, descobriu que seu pai queimara todos os manuscritos do seu idioma.

Zamenhof pôs-se, então, a reescrever tudo, adicionando melhorias e fazendo a língua evoluir.

O primeiro livro sobre o esperanto foi lançado em 26 de julho de 1887, em russo, contendo as 16 regras gramaticais, a pronúncia, alguns exercícios e um pequeno vocabulário. Logo depois, mais edições do Unua Libro foram lançadas em alemão, polonês e francês. O número de falantes cresceu rapidamente nas primeiras décadas, primordialmente no Império Russo e na Europa Oriental, depois na Europa Ocidental, nas Américas, na China e no Japão. Muitos desses primeiros falantes vinham de outro idioma planificado volapük. As primeiras revistas e obras originais em esperanto começaram a ser publicadas.

Em 1905 aconteceu o primeiro Congresso Universal de Esperanto, em Bolonha-sobre-o-Mar, na França, juntando quase mil pessoas, de diversos povos. Em 1906 foi fundado no Brasil o primeiro grupo esperantista, o Suda Stelaro em Campinas, 19 anos após o surgimento da língua.

Todo o movimento esperantista avançava a passos largos e seguros, mas com o evento das duas guerras mundiais o movimento teve um recuo amedrontador: as tropas comandadas por Hitler perseguiam e matavam os esperantistas na Alemanha e nos países dominados por esta; as tropas de Stalin faziam o mesmo na Rússia; a família de Zamenhof foi dizimada; no Japão e na China, a perseguição ao esperanto também ganhou proporções assustadoras.

Após a segunda grande guerra, o esperanto reergueu-se. Em 1954, a UNESCO passou a reconhecer formalmente o valor do esperanto para a educação, a ciência e a cultura, e, em 1985, novamente a UNESCO recomendou aos países membros a difusão do esperanto.

Atualmente, após 1995, com a popularização e disseminação da internet, o movimento esperantista ganhou uma nova força propulsora. Um exemplo de como está a situação atual do esperanto é ver o número de artigos na língua na Wikipédia: mais de 110.000 em abril de 2009, com índice de profundidade 13 — números maiores do que os de muitas línguas étnicas.

Uso

O esperanto é freqüentemente usado para se ter acesso a uma cultura internacional, dispondo ele de um vasto leque de obras literárias, tanto traduzidas como originais. Há mais de 25.000 livros em esperanto, entre originais e traduções, além de mais de uma centena de revistas editadas regularmente. Muitos esperantófonos usam a língua para viajar livremente pelo mundo usando o Pasporta Servo, rede internacional de hospedagem solidária. Outros têm correspondentes em vários países diferentes através de serviços como o Esperanto Koresponda Servo.

Com o desenvolvimento da internet e sua maior popularização, as iniciativas de imprensa em esperanto têm se tornado mais fáceis, e pouco a pouco ela se desenvolve.

Atualmente, vários Estados subvenciam transmissões regulares em esperanto de suas estações de rádio oficiais, como China, Polónia (diariamente), Cuba, Itália e Vaticano. Em menor escala, várias estações de rádio mantêm programas em ou sobre esperanto, como a Rádio Rio de Janeiro, que têm um departamento dedicado exclusivamente ao esperanto.

Anualmente, de 1.200 a 3.000 esperantistas encontram-se num Congresso Universal de Esperanto.

A língua mostra-se útil essencialmente para a troca de informações entre indivíduos de etnias diferentes que doutra maneira só seria realizada através de elementos mediadores (uma língua estranha a pelo menos um deles, um intérprete, organizações privadas, Estados, etc.).

Comparado a uma língua étnica, o esperanto apresentou algumas utilidades particulares:

Efeito propedêutico: Existem evidências de que estudar esperanto antes de estudar qualquer outra língua acelera e melhora a aprendizagem, pois aprender outras línguas estrangeiras a seguir é mais fácil que aprender a primeira, enquanto que o esperanto reduz os obstáculos associados com a "primeira língua estrangeira", esse fenômeno é conhecido como efeito propedêutico, sendo muito acentuado no esperanto. Num estudo, um grupo de estudantes do ensino secundário estudou esperanto durante seis meses e, depois, francês durante ano e meio, obtendo um melhor conhecimento de francês do que o grupo de controle que estudou só o francês durante dois anos. É provável que outras línguas planificadas também apresentem esse efeito no mesmo grau que o esperanto, mas devido ao maior número de falantes e melhor disponibilidade de material didático, a língua esperantista parece ser a mais recomendável para obter o efeito propedêutico.

Traduções:

A enorme flexibilidade do esperanto, a possibilidade do uso de diversas nuances, e a sua simplicidade gramatical tornam a língua uma ótima candidata para uma língua intermediária nas traduções. Um ótimo exemplo foi o uso do esperanto para a tradução de alguns livros da editora FEB para a língua japonesa, nesse caso, os originais em francês foram traduzidos para o esperanto, e do esperanto para o japonês, já que se tem um bom número de falantes de esperanto no Japão.
Fonte: Wikipedia

domingo, 26 de abril de 2009

Mediunismo e Antigüidade: alguns fatos importantes

Índia

... Krishina dizia sobre a comunicação dos Espíritos:

“Muito tempo antes de se despojarem de seu envoltório mortal, as almas que só praticaram o bem adquirem a faculdade de conversar com as almas que as precederam na vida espiritual.”

É isto que, ainda em nossos dias, afirmam os brâmanes pela doutrina dos Pitris, mesmo porque, em todos os tempos, a evocação dos mortos tem sido uma das formas da sua liturgia...

... O Buda e seus discípulos praticavam o Diana, ou a contemplação, o êxtase. Durante esse estado, o espírito destaca-se e comunica-se com as almas que deixaram a Terra...

Egito

... A ciência dos sacerdotes do Egito ultrapassava em bastantes pontos a ciência atual. Conheciam o magnetismo, o sonambulismo, curavam pelo sono provocado e praticavam largamente a sugestão...

Grécia

... A ciência do mundo invisível constituía um dos ramos mais importantes do ensino reservado. Por ela se havia sabido deduzir, do conjunto dos fenômenos, a lei das relações que unem o mundo terrestre ao mundo dos Espíritos; desenvolviam-se com método as faculdades transcendentais da alma humana, tornando possível a leitura do pensamento e a vista à distância. Os fatos de clarividência e adivinhação, produzidos pelas sibilas e pitonisas, oráculos dos templos gregos, são atestados pela História...

Gália

...Os druidas comunicavam-se com o mundo invisível; mil testemunhas o atestam. Nos recintos de pedra evocavam os mortos. As druidesas e os bardos proferiam oráculos. Vários autores referem que Vercingétorix entretinha-se, debaixo das ramagens sombrias dos bosques, com as almas dos heróis mortos em serviço da pátria. Antes de sublevar a Gália contra César, foi para a ilha de Sein, antiga residência das druidesas, e aí, ao esfuziar dos raios, apareceu-lhe um gênio que predisse sua derrota e seu martírio...

... A comemoração dos mortos é de iniciativa gaulesa. No dia 1º de novembro celebrava-se a festa dos Espíritos, não nos cemitérios – os gauleses não honravam os cadáveres -, mas sim em cada habitação, onde os bardos e os videntes evocavam as almas dos defuntos. No entender deles, os bosques e as charnecas eram povoados de Espíritos errantes...

Hebreus

... Em Moisés vamos encontrar o grande legislador hebreu saturando-se de todos os conhecimentos iniciativos, no Egito antigo, onde o seu Espírito recebeu primorosa educação à sombra do prestígio de Termútis, cuja caridade fraterna o recolhera.

Moisés, na sua qualidade de mensageiro do Divino Mestre, procura então concentrar o seu povo para a grande jornada em busca da terra prometida. Médium extraordinário, realiza grandes feitos ante os seus irmãos e companheiros maravilhados...

Jesus e os Apóstolos – Encontramos no novo testamento uma série de fenômenos tais quais aparições, curas, levitação, xenoglossia (dialogar em língua estrangeira), transfiguração, dupla vista, clarividência, clariaudiência, etc.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Seminário Inteligência Espiritual

A Fraternidade Espírita Chico Xavier irá promover o Seminário Inteligência Espiritual. O evento acontecerá no Sábado, dia 25 de abril, na sede da FECX a partir das 8:30h. Aqueles que tiverem interesse podem participar dos estudos.

A FECX está localizada na Rua Todos os Santos, 15, Vale Encantado, Vila Velha - ES.

Convidamos a todos.

Informações no nosso e-mail: fecxavier.blogspot.com

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Kardec e a Ciência Espírita

J. Herculano Pires

O Espiritismo como religião é uma conseqüência da Ciência Espírita. A III Revelação não nasceu da pregação de um messias ou profeta, mas da pesquisa científica dos fenômenos mediúnicos. Provada a sobrevivência da alma após a morte – cientificamente provada por Kardec e pelos grandes cientistas do século passado e deste século que se interessaram pelo assunto – o problema espiritual escapou das mãos dos teólogos e dos místicos, do campo religioso tradicional. Por isso Kardec se recusou a chamar o Espiritismo de religião e o chamou de “auxiliar das religiões”, porque era a Ciência do Espirito que surgia para explicar e esclarecer os supostos mistérios do suposto mundo sobrenatural das religiões.

Quem não compreender isso não está apto a ensinar Espiritismo a ninguém. O beato espírita não é espírita, pois não conhece a doutrina e não estuda, não se liberta das superstições e dos erros do seu passado religioso. Pela sua crença ingênua está sujeito a servir de instrumento a qualquer espírito mistificador e se apresentar como mestre missionário, reencarnação de Kardec e outras tolices dessa ordem.

Os reformadores da doutrina, encarnados e desencarnados, nada mais são do que indivíduos pretensiosos, extremamente vaidosos, que se deixaram levar por espíritos trevosos, empenhados em semear joio na serra.

Nosso meio espírita está cheio de criaturas de boa vontade, ingênuas e bondosas, mas nem por isso livres da vaidade. Como Kardec demonstrou, já no seu tempo, esses elementos, quando se fanatizam, fazem mais mal ao Espiritismo do que os adversários da doutrina. Porque a ridicularizam, reduzem o Espiritismo a uma seita de beatos ignorantes.

O Espiritismo não é doutrina feita para sábios, mas para todos os que tenham um pouco de bom senso e de humildade. Os sábios também estão sujeitos à mistificação, pois há mistificadores sábios nas trevas, e muitos doutores andam por aí a pregar tolices em nome de um suposto progresso do Espiritismo, de sua suposta atualização. Ninguém é professor de Espiritismo. Todos somos aprendizes, todos. E geralmente maus aprendizes, que quando pretendem ensinar deturpam a doutrina.

As obras de Kardec são a única fonte verdadeira do saber espírita. Quem não ler e estudar essas obras com humildade e vontade legitima de aprender, não conhece Espiritismo. Os que realmente estudam e compreendem a doutrina sentem-se humildes diante de sua grandeza e não pretendem passar por mestres. São colegas mais aplicados que apenas se esforçam para ajudar os companheiros de escola no aprendizado necessário. A obra de Kardec ainda não foi suficientemente estudada. A maioria dos espíritas estudiosos não conseguiu ainda penetrar na essência dessa obra, que não foi escrita para um século, mas para muitos séculos. Infeliz daquele que pretende ser o mestre de todos. Na verdade é o cego do Evangelho que conduz outros cegos ao barranco. Precisamos ter muito cuidado para não entrarmos nessas filas de cegos ou não nos colocarmos na posição ridícula de cego a guiar cegos.

Basta lembrarmos que a Ciência Espírita só apareceu depois do desenvolvimento das outras Ciências, para termos uma idéia de sua complexidade. Só agora os físicos, químicos, biólogos, botânicos, psicólogos, sociólogos e parapsicólogos estão descobrindo que os seus enganos já foram percebidos por Kardec há mais de um século. Precisamos pensar nisso quando lermos um artigo ou um livro de pretensos mestres que se dizem descobridores da pólvora. Como disse Kardec, um grande sábio pode conhecer muito da sua especialidade, mas é ignorante em Espiritismo. Porque só agora as Ciências estão começando a entrar no estudo e na pesquisa dos fenômenos espíritas e assim mesmo com muitos preconceitos.

Da Ciência Espírita nasceu a Filosofia Espírita. E desta nasceu a Religião Espírita. Isto foi bem ensinado por Kardec, mas os próprios espíritas ainda não entenderam o ensino, o que mostra o quanto ainda estamos longe da apregoada superação de Kardec. Como em todas as Ciências, na Ciência Espírita a primeira condição para aprendê-la é a humildade. Não se trata da humildade religiosa, que nos leva a tudo aceitar de cabeça baixa para obtermos a glória eterna (o que revela contradição dessa humildade egoísta e ambiciosa), mas da humildade honesta da criatura que reconhece os seus limites e não quer passar de pato a ganso. O maior exemplo de estudo sério e humilde do Espiritismo nos foi dado por Kardec. Ele era um sábio — filósofo, pedagogo, médico, psicólogo, mestre em Ciências, diretor de estudos da Universidade de França com suas obras adotadas por essa Universidade, continuador da Pedagogia de Pestalozzi, pesquisador científico conhecido pela sua prudência e rigor metodológico, louvado pelos sábios do seu tempo, e com tudo isso entregou-se ao trabalho espírita com a modéstia socrática de simples aprendiz de homem que buscava o saber, sabendo que nada sabia. Não lutava para conquistar as glórias terrenas nem a glória eterna, mas para esclarecer os problemas que até hoje aturdem os homens em todo o mundo. Substituiu o seu próprio nome, de família ilustre e famosa, pelo pseudônimo Allan Kardec, nome de um desconhecido que vivera no mundo celta. Viveu e morreu na pobreza, caluniado e insultado, respondendo sempre aos seus agressores gratuitos com palavras de esclarecimento e convites ao estudo e à pesquisa, em favor da Humanidade. Que diferença entre ele e os seus pretensos reformadores, desde o pobre Roustaing do seu tempo até os da atualidade, que mais do que nunca precisam ler e estudar as suas obras!

A tolerância espírita, como toda e qualquer tolerância tem os seus limites invioláveis. Quando transpomos esses limites passamos ao campo adversário, caímos no erro e ajudarmos as Trevas. O espirita não é nem pode ser um ingênuo, um ignorante irresponsável, um crente insensato, um místico irracional. Espiritismo é conhecimento e todo conhecimento implica responsabilidade. Aceitar e propagar mistificações em nome da Doutrina é cometer um crime de lesa-humanidade um atentado contra a evolução humana, contra o Evangelho de Jesus e a Codificação de Allan Kardec.

A interpretação errada e comodista do conceito espírita de tolerância desfigurou e aviltou o movimento espírita brasileiro. Nossa vasta Seara Espírita, de que tanto nos orgulhamos, está asfixiada pelo joio que médiuns invigilantes e pregadores vaidosos semearam e semeiam sem cessar. E os responsáveis não são apenas eles, mas também todos aqueles que não protestam, que se acomodam, que evocam o princípio de tolerância para não provocar atritos. Esses comodistas preferem o pântano as águas correntes. Cultivam o charco no meio da seara.

O panorama atual é desolador. A FEB e numerosas Federações Estaduais, a ela filiadas, continuam mantendo e propagando a mistificação de Roustaing, tristemente ridícula cheia de absurdos que contradizem Kardec e Jesus, pois os espíritos mistificadores deformaram o próprio Evangelho. A Federação paulista, depois da saturação de mais de trinta anos de Armondismo, continua ramatiziana e semeando tolices em nome da Doutrina. Essa Federação, que pela tradição do Espiritismo em São Paulo devia ser um modelo, virou um mercado de peixes, em que todos falam e ninguém se entende. Chegou a tal ponto a FEESP que se fez a primeira adulteradora no mundo, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. As demais entidades, com raras exceções, estão cheias desses e de outros absurdos e tolices de arrepiar qualquer pessoa de bom senso. As reencarnações de Kardec proliferam no pântano da vaidade fascinada. André Luiz é equiparado a Ramatis e ambos transformados em superadores de Kardec.

E os místicos da tolerância mal compreendida aplaudem, tudo isso, esquecidos de que não podemos tolerar a mentira e a mistificação.

Os espíritas conscientes, convictos, precisam opor a barreira da verdade doutrinária a essa avalanche de mentiras que ameaça asfixiar o Espiritismo no Brasil. Chegamos aos limites da tolerância e mergulhamos no erro, entregamo-nos à fascinação das Trevas. E cada um de nós é responsável por essa situação calamitosa. Ou reagiremos contra esse abastardamento do Espiritismo ou seremos cúmplices da ignorância criminosa


Fonte: http://www.editorapaideia.com.br

sexta-feira, 27 de março de 2009

Tecnologia e Evangelho

Vianna de Carvalho (espírito)

Ante o esplendor da Tecnologia colocada a serviço da comodidade humana, exaltamos, no Evangelho, a técnica profunda para a libertação do homem.

Não desconsideramos os preciosos recursos da ciência tecnológica aplicados para a decifração dos perturbadores problemas que vêm desafiando os séculos, na condição de enigmas aparentemente insolúveis.

Em face do aguçado olhar dos microscópios eletrônicos foram surpreendidas colônias de organismos e vidas perniciosas, adentrando-se o homem na profunda mecânica das células, das moléculas, dos átomos e das expressões subatômicas; as grandes lunetas de radioastronomia detectam o agitar de “quasares” azuis e de Universos outros pulsantes no Infinito dos espaços; possuem em outros mundos os engenhos interplanetários...

A Terra diminui de expressão, enquanto as distâncias desaparecem; os acontecimentos televisionados, via satélite artificiais, invadem os lares com expressivas cargas de informações rápidas, que, de certo modo, aturdem as criaturas. Há conforto, música, beleza, ordem, limpeza e programação em quase todos os lugares do mundo.

Poder-se-á mesmo dizer que o triunfo tecnológico teria mudado as paisagens do planeta, não fossem as ermas ou frias, revoltadas, tristes ou miseráveis paisagens do mundo moral do homem, que prossegue, genericamente, sem rumo, no báratro das realizações exteriores.

Simultaneamente o orgulho dizima os poderosos, que se olvidam dos fracos, enquanto necessidades sócio-econômicas aniquilam os pobres, que olham, revoltados, a abastança dos ricos...

Abraça-se o opulência com a miséria, não obstante as aparentes segregações. Quase todos, porém sob o açodar de íntimas aflições sem nome, se arrojam a guetos de exteriores diversos, quais imensos abismos de angústias e sombras onde buscam os prazeres fugidios que os não saciam.

De um lado, a opulência vã, que não ultrapassa os limites das necessidades morais urgentes, e de outro, a frieza, a indiferença, o cansaço dos que supõem haver conquistado o mundo, quando, em realidade, apenas triunfaram por fora...

As montras que exibem os mais aperfeiçoados aparelhos eletrônicos, jóias sofisticadas, móveis de alto luxo confundem-se com as que convidam ao sexo aviltado, em multiforme expressão que escapa à imaginações mais exacerbadas – de inspiração procedente das baixas regiões do Mundo Espiritual -, com os cassinos e bares onde as paixões e ilusões não conseguem evadir-se à constrição devastadora...

Sob a mesma inspiração, afoga-se a juventude no pântano dos tóxicos ou engaja-se, alucinada, nas experiências da velocidade, da aventura, da criminalidade. E muito mais...

Não olvidamos os inestimáveis serviços prestados à saúde do corpo e da psique, que resultam das laboriosas conquistas científicas, expulsando enfermidades cruéis, e que cedem lugar a novas técnicas, tais, aliás, raramente ao alcance das bolsas dos aflitos.

A Ciência sem Deus é loucura e morte. A Tecnologia sem o apoio do Evangelho é passo largo para o desespero e a insensatez.

A Tecnologia melhora a forma, dá beleza, enquanto o Evangelho reforma o homem e dá-lhe sentimento.

A ciência tecnológica programa o mundo, enquanto a sabedoria evangélica edifica o homem, que, renovado, modifica o mundo.

A primeira trabalha para o exterior; a segunda promove o interior.

Uma é claridade, atuando de fora para dentro; outra é luz a exteriorizar-se de dentro para fora.

Para o materialismo não há saída. O futuro se encarregará de mudar-lhe as atuais estruturas conceptuais e tecnológicas, impelindo o homem, inevitavelmente, para Deus.

Certamente, nenhum desdém pelas nobres conquistas do cérebro; todavia, sem a eloqüente contribuição do sentimento renovado em Cristo Jesus, o homem não se encontra consigo mesmo. Não indo além de uma forma bem equipada e perigosa, a caminho das sombras do túmulo.

Por isso, reverenciamos na Doutrina consoladora dos Espíritos a Ciência da crença, sob o Sol sublime que é Jesus, astro de primeira grandeza a sustentar o equilíbrio do sistema, fecundo e soberano, que espera por nós há milênios, sem pressa nem angústia.

(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, em 9-6-1977, em Frankfurt, Alemanha).

Reformador – Fevereiro de 1978

sexta-feira, 13 de março de 2009

O bem e o mal

629. Que definição se pode dar da moral?

“A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.”

630. Como se pode distinguir o bem do mal?

“O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la.”

631. Tem meios o homem de distinguir por si mesmo o que é bem do que é mal?

“Sim, quando crê em Deus e o quer saber. Deus lhe deu inteligência para distinguir um do outro.”

632. Estando sujeito ao erro, não pode o homem enganar-se na apreciação do bem e do mal e crer que pratica o bem quando em realidade pratica o mal?

“Jesus disse: vede o que queríeis que vos fizessem ou não vos fizessem. Tudo se resume nisso. Não vos enganareis.”

633. A regra do bem e do mal, que se poderia chamar de reciprocidade ou de solidariedade, é inaplicável ao proceder pessoal do homem para consigo mesmo. Achará ele, na lei natural, a regra desse proceder e um guia seguro?

“Quando comeis em excesso, verificais que isso vos faz mal. Pois bem, é Deus quem vos dá a medida daquilo de que necessitais. Quando excedeis dessa medida, sois punidos. Em tudo é assim. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades. Se ele ultrapassa esse limite, é punido pelo sofrimento. Se atendesse sempre à voz que lhe diz - basta, evitaria a maior parte dos males, cuja culpa lança à Natureza.”

634. Por que está o mal na natureza das coisas? Falo do mal moral. Não podia Deus ter criado a Humanidade em melhores condições?

“Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes. Deus deixa que o homem escolha o caminho. Tanto pior para ele, se toma o caminho mau: mais longa será sua peregrinação. Se não existissem montanhas, não compreenderia o homem que se pode subir e descer; se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É preciso que o Espírito ganhe experiência; é preciso, portanto, que conheça o bem e o mau. Eis por que se une ao corpo.”

635. Das diferentes posições sociais nascem necessidades que não são idênticas para todos os homens. Não parece poder inferir-se daí que a lei natural não constitui regra uniforme?

“Essas diferentes posições são da natureza das coisas e conformes à lei do progresso. Isso não infirma a unidade da lei natural, que se aplica a tudo.”

Nota de Allan Kardec - As condições de existência do homem mudam de acordo com os tempos e os lugares, do que lhe resultam necessidades diferentes e posições sociais apropriadas a essas necessidades. Pois que está na ordem das coisas, tal diversidade é conforme à lei de Deus, lei que não deixa de ser una quanto ao seu princípio. À razão cabe distinguir as necessidades reais das factícias ou convencionais.

636. São absolutos, para todos os homens, o bem e o mal?

“A lei de Deus é a mesma para todos; porém, o mal depende principalmente da vontade que se tenha de o praticar. O bem é sempre o bem e o mal sempre o mal, qualquer que seja a posição do homem. Diferença só há quanto ao grau da responsabilidade.”

637. Será culpado o selvagem que, cedendo ao seu instinto, se nutre de carne humana?

“Eu disse que o mal depende da vontade. Pois bem! Tanto mais culpado é o homem, quanto melhor sabe o que faz.”

Nota de Allan Kardec - As circunstâncias dão relativa gravidade ao bem e ao mal. Muitas vezes, comete o homem faltas, que, nem por serem conseqüência da posição em que a sociedade o colocou, se tornam menos repreensíveis. Mas, a sua responsabilidade é proporcionada aos meios de que ele dispõe para compreender o bem e o mal. Assim, mais culpado é, aos olhos de Deus, o homem instruído que pratica uma simples injustiça, do que o selvagem ignorante que se entrega aos seus instintos.

638. Parece, às vezes, que o mal é uma conseqüência da força das coisas. Tal, por exemplo, a necessidade em que o homem se vê, nalguns casos, de destruir, até mesmo o seu semelhante. Poder-se-á dizer que há, então, infração da lei de Deus?

“Embora necessário, o mal não deixa de ser o mal. Essa necessidade desaparece, entretanto, à medida que a alma se depura, passando de uma a outra existência. Então, mais culpado é o homem, quando o pratica, porque melhor o compreende.”

639. Não sucede freqüentemente resultar o mal, que o homem pratica, da posição em que os outros homens o colocam? Quais, nesse caso, os culpados?

“O mal recai sobre quem lhe foi o causador. Nessas condições, aquele que é levado a praticar o mal pela posição em que seus semelhantes o colocam tem menos culpa do que os que, assim procedendo, o ocasionaram. Porque, cada um será punido, não só pelo mal que haja feito, mas também pelo mal a que tenha dado lugar.”

640. Aquele que não pratica o mal, mas que se aproveita do mal praticado por outrem, é tão culpado quanto este?

“É como se o houvera praticado. Aproveitar do mal é participar dele. Talvez não fosse capaz de praticá-lo; mas, desde que, achando-o feito, dele tira partido, é que o aprova; é que o teria praticado, se pudera, ou se ousara.”

641. Será tão repreensível, quanto fazer o mal, o desejá-lo?

“Conforme. Há virtude em resistir-se voluntariamente ao mal que se deseja praticar, sobretudo quando há possibilidade de satisfazer-se a esse desejo. Se apenas não o pratica por falta de ocasião, é culpado quem o deseja.”

642. Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal?

“Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem.”

643. Haverá quem, pela sua posição, não tenha possibilidade de fazer o bem?

“Não há quem não possa fazer o bem. Somente o egoísta nunca encontra ensejo de o praticar. Basta que se esteja em relações com outros homens para que se tenha ocasião de fazer o bem, e não há dia da existência que não ofereça, a quem não se ache cego pelo egoísmo, oportunidade de praticá-lo. Porque, fazer o bem não consiste, para o homem, apenas em ser caridoso, mas em ser útil, na medida do possível, todas as vezes que o seu concurso venha a ser necessário.”

644. Para certos homens, o meio onde se acham colocados não representa a causa primária de muitos vícios e crimes?

“Sim, mas ainda aí há uma prova que o Espírito escolheu, quando em liberdade, levado pelo desejo de expor-se à tentação para ter o mérito da resistência.”

645. Quando o homem se acha, de certo modo, mergulhado na atmosfera do vício, o mal não se lhe torna um arrastamento quase irresistível?

“Arrastamento, sim; irresistível, não; porquanto, mesmo dentro da atmosfera do vício, com grandes virtudes às vezes deparas. São Espíritos que tiveram a força de resistir e que, ao mesmo tempo, receberam a missão de exercer boa influência sobre os seus semelhantes.”

646. Estará subordinado a determinadas condições o mérito do bem que se pratique? Por outra: Será de diferentes graus o mérito que resulta da prática do bem?

“O mérito do bem está na dificuldade em praticá-lo. Nenhum merecimento há em fazê-lo sem esforço e quando nada custe. Em melhor conta tem Deus o pobre que divide com outro o seu único pedaço de pão, do que o rico que apenas dá do que lhe sobra, disse-o Jesus, a propósito do óbolo da viúva.”

671. Que devemos pensar das chamadas guerras santas? O sentimento que impele os povos fanáticos, tendo em vista agradar a Deus, a exterminarem o mais possível os que não partilham de suas crenças, poderá equiparar-se, quanto à origem, ao sentimento que os excitava outrora a sacrificarem seus semelhantes?

“São impelidos pelos maus Espíritos e, fazendo a guerra aos seus semelhantes, contravêm à vontade de Deus, que manda ame cada um o seu irmão, como a si mesmo. Todas as religiões, ou, antes, todos os povos adoram um mesmo Deus, qualquer que seja o nome que lhe dêem. Por que então há de um fazer guerra a outro, sob o fundamento de ser a religião deste diferente da sua, ou por não ter ainda atingido o grau de progresso da dos povos cultos? Se são desculpáveis os povos de não crerem na palavra daquele que o Espírito de Deus animava e que Deus enviou, sobretudo os que não o viram e não lhe testemunharam os atos, como pretenderdes que creiam nessa palavra de paz, quando lhes ides levá-la de espada em punho? Eles têm que ser esclarecidos e devemos esforçar-nos por fazê-los conhecer a doutrina do Salvador, mediante a persuasão e com brandura, nunca a ferro e fogo. Em vossa maioria, não acreditais nas comunicações que temos com certos mortais; como quereríeis que estranhos acreditassem na vossa palavra, quando desmentis com os atos a doutrina que pregais?”

(LE - PARTE 3ª - CAPÍTULO II)

quinta-feira, 5 de março de 2009

ALÉM DA MORTE

Cumprida mais uma jornada na Terra, seguem os Espíritos para a pátria espiritual, conduzindo a bagagem dos feitos acumulados em suas existências físicas.

Aportam no plano espiritual, nem anjos, nem demônios.

São homens, almas em aprendizagem, despojadas da carne.

São os mesmos homens que eram antes da morte.

A desencarnação não lhes modifica hábitos, nem costumes.

Não lhes outorga títulos, nem conquistas.

Não lhes retira méritos, nem realizações.

Cada um se apresenta, após a morte, como sempre viveu.

Não ocorre nenhum milagre de transformação para aqueles que atingem o grande porto.

Raros são aqueles que despertam com a consciência livre, após a inevitável travessia.

A grande maioria, vinculada de forma intensa às sensações da matéria, demora-se, infeliz, ignorando a nova realidade.

Muitos agem como turistas confusos em visita à grande cidade, buscando incessantemente endereços que não conseguem localizar.

Sentem a alma visitada por aflições e remorsos, receios e ansiedades.

Se refletissem um pouco perceberiam que a vida prossegue sem grandes modificações.

Os escravos do prazer prosseguem inquietos.

Os servos do ódio demoram-se em aflição.

Os companheiros da ilusão permanecem enganados.

Os aficionados da mentira dementam-se sob imagens desordenadas.

Os amigos da ignorância continuam perturbados.

Além disso, a maior parte dos seres não é capaz de perceber o apoio dispensado pelos Espíritos superiores.

Sim, porque mesmo os seres mais infelizes e voltados ao mal não são esquecidos ou abandonados pelo auxílio divino.

Em toda parte e sem cessar, amigos espirituais amparam todos os seus irmãos, refletindo a paternal Providência Divina.

Morrer, longe de ser o descansar nas mansões celestes ou o expurgar sem remissão nas zonas infelizes, é, pura e simplesmente, recomeçar a viver.

A morte a todos aguarda.

Preparar-se para tal acontecimento é tarefa inadiável.

Apenas as almas esclarecidas e experimentadas na batalha redentora serão capazes de transpor a barreira do túmulo e caminhar em liberdade.

A reencarnação é uma bendita oportunidade de evolução.

A matéria em que nos encontramos imersos, por ora, é abençoado campo de luta e de aprimoramento pessoal.

Cada dia de que dispomos na carne é nova chance de recomeço.

Tal benefício deve ser aproveitado para aquisição dos verdadeiros valores que resistem à própria morte.

Na contabilidade divina a soma de ações nobres anula a coletânea equivalente de atos indignos.

Todo amor dedicado ao próximo, em serviço educativo à Humanidade, é degrau de ascensão.

* * *

Quando o véu da morte fechar os nossos olhos nesta existência, continuaremos vivendo, em outro plano e em condições diversas.

Estaremos, no entanto, imbuídos dos mesmos defeitos e das mesmas qualidades que nos movimentavam antes do transe da morte.

A adaptação a essa nova realidade dependerá da forma como nos tivermos preparado para ela.

Semeamos a partir de hoje a colheita de venturas, ou de desdita, do amanhã.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base nos caps. 1 e 16, do livro
Além da morte, pelo Espírito Otília Gonçalves, psicografia de
Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 09.02.2009.



fonte: http://www.momento.com.br/exibe_texto.php?id=1108

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A Psicografia - Entrevista com Divaldo P. Franco

Entrevista realizada por Ana Maria Braga no programa "Mais Você" exibido pela Rede Globo. O entrevistado foi o médium e orador espírita Divaldo Pereira Franco.

A iniciativa da entrevista demonstra a característica consoladora e reveladora da Doutrina Espírita, que surgiu no mundo para explicar e provar a existência do mundo espiritual, além de atestar a sobrevivência do Espírito após a morte do corpo físico. Os conhecimentos trazidos pelos mensageiros do além revelam as leis divinas que regem o funcionamento de todo o universo e criação.


Veja o vídeo na íntegra:

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

As Qualidades Morais dos Médiuns

SEGUNDO AS QUALIDADES MORAIS DOS MÉDIUNS

Mencionamo-las sumariamente e de memória, apenas para completar o quadro, visto que serão desenvolvidas adiante, nos capítulos: Da influência moral do médium, Da obsessão, Da identidade dos Espíritos e outros, para os quais chamamos particularmente a atenção do leitor. Aí se verá a influência que as qualidades e os defeitos dos médiuns pode exercer na segurança das comunicações e quais os que com razão se podem considerar médiuns imperfeitos ou bons médiuns.

MÉDIUNS IMPERFEITOS

Médiuns obsidiados: os que não podem desembaraçar-se de Espíritos importunos e enganadores, mas não se iludem.

Médiuns fascinados: os que são iludidos por Espíritos enganadores e se iludem sobre a natureza das comunicações que recebem.

Médiuns subjugados: os que sofrem uma dominação moral e, muitas vezes, material da parte de maus Espíritos.

Médiuns levianos: os que não tomam a sério suas faculdades e delas só se servem por divertimento, ou para futilidades.

Médiuns indiferentes: os que nenhum proveito moral tiram das instruções que obtêm e em nada modificam o proceder e os hábitos.

Médiuns presunçosos: os que têm a pretensão de se acharem em relação somente com Espíritos superiores. Crêem-se infalíveis e consideram inferior e errôneo tudo o que deles não provenha.

Médiuns orgulhosos: os que se envaidecem das comunicações que lhes são dadas; julgam que nada mais têm que aprender no Espiritismo e não tomam para si as lições que recebem freqüentemente dos Espíritos. Não se contentam com as faculdades que possuem, querem tê-las todas.

Médiuns suscetíveis: variedade dos médiuns orgulhosos, suscetibilizam-se com as críticas de que sejam objeto suas comunicações; zangam-se com a menor contradição e, se mostram o que obtêm, é para que seja admirado e não para que se lhes dê um parecer. Geralmente, tomam aversão às pessoas que os não aplaudem sem restrições e fogem das reuniões onde não possam impor-se e dominar.

"Deixai que se vão pavonear algures e procurar ouvidos mais complacentes, ou que se isolem; nada perdem as reuniões que da presença deles ficam privadas." - ERASTO.

Médiuns mercenários: os que exploram suas faculdades.

Médiuns ambiciosos: os que, embora não mercadejem com as faculdades que possuem, esperam tirar delas quaisquer vantagens.

Médiuns de má-fé: os que, possuindo faculdades reais, simulam as de que carecem, para se darem importância. Não se podem designar pelo nome de médium as pessoas que, nenhuma faculdade mediúnica possuindo, só produzem certos efeitos por meio da charlatanaria.

Médiuns egoístas: os que somente no seu interesse pessoal se servem de suas faculdades e guardam para si as comunicações que recebem.

Médiuns invejosos: os que se mostram despeitados com o maior apreço dispensado a outros médiuns, que lhes são superiores. Todas estas más qualidades têm necessariamente seu oposto no bem.

BONS MÉDIUNS

Médiuns sérios: os que unicamente para o bem se servem de suas faculdades e para fins verdadeiramente úteis. Acreditam profaná-las, utilizando-se delas para satisfação de curiosos e de indiferentes, ou para futilidades.

Médiuns modestos: os que nenhum reclamo fazem das comunicações que recebem, por mais belas que sejam. Consideram-se estranhos a elas e não se julgam ao abrigo das mistificações. Longe de evitarem as opiniões desinteressadas, solicitam-nas.

Médiuns devotados: os que compreendem que o verdadeiro médium tem uma missão a cumprir e deve, quando necessário, sacrificar gostos, hábitos, prazeres, tempo e mesmo interesses materiais ao bem dos outros.

Médiuns seguros: os que, além da facilidade de execução, merecem toda a confiança, pelo próprio caráter, pela natureza elevada dos Espíritos que os assistem; os que, portanto, menos expostos se acham a ser iludidos. Veremos mais tarde que esta segurança de modo 'algum depende dos nomes mais ou menos respeitáveis com que os Espíritos se manifestem.

"É incontestável, bem o sentis, que, epilogando assim as qualidades e os defeitos dos médiuns, isto suscitará contrariedades e até a animosidade de alguns; mas, que importa? A mediunidade se espalha cada vez mais e o médium que levasse a mal estas reflexões, apenas uma coisa provaria: que não é bom médium, isto é, que tem a assisti- lo Espíritos maus. Ao demais, como já eu disse, tudo isto será passageiro e os maus médiuns, os que abusam, ou usam mal de suas faculdades, experimentarão tristes conseqüências, conforme já se tem dado com alguns. Aprenderão à sua custa o que resulta de aplicarem, no interesse de suas paixões terrenas, um dom que Deus lhes outorgara unicamente para o adiantamento moral deles. Se os não puderdes reconduzir ao bom caminho, lamentai-os, porquanto, posso dizê-lo, Deus os reprova." - (ERASTO.)

"Este quadro é de grande importância, não si para os médiuns sinceros que, lendo-o, procurarem de boa-fé preservar-se dos escolhos a que estão expostos, mas também para todos os que se servem dos médiuns, porque lhes dará a medida do que podem racionalmente esperar. Ele deverá estar constantemente sob as vistas de todo aquele que se ocupa de manifestações, do mesmo modo que a escala espírita, a que serve de complemento. Esses dois quadros reúnem todos os princípios da Doutrina e contribuirão, mais do que o supondes, para trazer o Espiritismo ao verdadeiro caminho." (SÓCRATES.)
Allan Kardec. Da obra: O Livro dos Médiuns. 62 edição. Livro eletrônico gratuito em http://www.febnet.org.br. Federação Espírita Brasileira.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Cartas do Além

Revista ISTOÉ traz reportagem sobre a psicografia. Veja no link abaixo a reportagem da revista que, atualmente, está circulando nas prateleiras das bancas e lojas do Brasil.



http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2048/artigo125286-1.htm

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O mundo em que vivemos

Dalva Silva Souza

O que estamos vendo em torno de nós? As manchetes dos jornais assustam. Embaixadas são incendiadas, terroristas agem em toda parte, tropas se confrontam em muitas terras, a economia se descontrola, circunstâncias imprevisíveis levam empresas sólidas à falência, sistemas e valores entram em colapso, instituições tradicionais como a Igreja e a Família são violentamente abaladas, teóricos pregam o fim da História. Não faltam as vozes pessimistas que apregoam o abismo, o caos, o fim do mundo.

Não podemos desconsiderar os perigos reais que nos cercam: desastres nucleares, o buraco na camada de ozônio, a quebra da cadeia biológica pela extinção de muitas espécies. Se a velocidade da destruição da natureza não se inverter, é possível que se atinja um ponto de ameaça à sobrevivência do homem na Terra. Ao lado dos problemas descritos, contudo, surgem evidências da emersão de novos potenciais bem no meio da destruição e da decadência: a descoberta de fontes alternativas de energia menos danosa ao meio ambiente; o estabelecimento de novas relações geopolíticas; a expansão dos meios de comunicação; a instalação de novos métodos de manufatura, com máquinas realizando o trabalho mecânico e alienante; a estruturação de novas formas de relacionamento familiar, novas idéias, novas classificações, novos conceitos. Os velhos modos de pensar, as fórmulas antigas e antigas ideologias, por mais úteis que tenham sido às sociedades do passado, não mais se adaptam aos fatos atuais.

Se olharmos o momento em que vivemos sob a ótica da revelação espírita, teremos motivos para desafiar o pessimismo que prevalece atualmente e concluiremos que o desespero e a desesperança são atitudes injustificadas. Segundo os Espíritos, são inúmeros os mundos habitados no Universo e podemos distribuí-los nas seguintes classificações: primitivos, de expiação e provas, de regeneração, ditosos, celestes ou divinos.¹

A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas, mas deverá, no próximo milênio, passar para a classe dos mundos de regeneração. A vida nestes últimos não é acentuadamente diferente da que conhecemos, uma vez que os habitantes deles estão ainda sujeitos às leis que regem a matéria e experimentam como nós sensações e desejos, o que impede a vivência da perfeita felicidade. Mas, entre eles, o egoísmo e o orgulho não têm a predominância que observamos aqui e isso gera eqüidade nas relações sociais e, conseqüentemente, uma vida mais amena e tranqüila.

A transição de uma categoria de mundo para a outra não se processa sem abalos. Há um momento em que o antigo e o novo se confrontam, estabelecendo a desordem e uma aparência de caos. Estamos vivendo esse momento e precisamos saber o que faz parte do antigo e o que constitui o novo, para podermos colaborar decisivamente na construção da realidade nova com que sonhamos. Para ter esse discernimento, precisamos de muita atenção e cuidadosa observação, já que muitas coisas apresentadas como inovadoras podem ser disfarces de um passado que se recusa a ceder lugar ao que é verdadeiramente renovador.

A sociedade do mundo de regeneração já está, pois, emergindo em nossas vidas. Ela traz consigo novos estilos de família, novos modos de trabalhar, de amar e de viver, uma nova economia; novos conflitos políticos; uma consciência renovada. Muitas pessoas já conseguem assimilar o novo ritmo enquanto que outras, temerosas diante do desconhecido, agarram-se ao passado e tentam reestruturar modelos antigos.

Como espíritas, somos chamados a contribuir para a construção dessa nova sociedade. Aceitar ou não o chamamento depende exclusivamente de nós, da consciência que tenhamos do momento que estamos vivendo e da importância da nossa contribuição, como também da quantidade de energia que estejamos dispostos a investir no trabalho necessário.

É preciso começar pela percepção de que toda sociedade tem regras e princípios que permeiam suas atividades. Se essas regras e princípios se apoiarem no respeito às leis divinas, a sociedade tenderá a corresponder aos anseios naturais do homem, resultando em uma estrutura que propiciará o crescimento de todos. Caso contrário, ao desrespeitar as leis naturais, as instituições sociais passam a reprimir o homem, criam privilégios e exceções, geram a violência e inibem o verdadeiro progresso. Cabe-nos, quando nos dispomos ao trabalho de contribuir para a construção de uma nova sociedade, buscar o conhecimento das leis naturais e refletir sobre a sociedade em que vivemos, sobre a nossa posição nessa sociedade e sobre a ação que precisamos empreender.

Além disso, precisamos estar cientes de que o conjunto formado pela sociedade gera limites à atuação individual. Como ensinou John Lock:

"E, assim, cada indivíduo, ao consentir com os outros em formar um corpo político com um governo, coloca-se a si próprio sob a obrigação em relação a todos os outros membros dessa sociedade de se submeter à determinação da maioria e de aceitar suas decisões. Caso contrário, esse pacto original, pelo qual ele e os outros formam uma sociedade, não significaria nada, e não seria um pacto se ele permanecesse tão livre e tão sem obrigações quanto quando se encontrava no estado de Natureza.²

Respeitar o pacto que está em vigor, agindo para que o esclarecimento traga ao conjunto a possibilidade de novas determinações e, por conseguinte, de estabelecimento de alterações à vida do conjunto, eis o que se pode propor.

Fica claro então que o projeto de uma organização social que respeite as leis naturais deve realizar-se primeiramente pela educação dos indivíduos que compõem essa coletividade. Kardec aponta esse fato quando, ao analisar as aristocracias, afirma que o progresso pode determinar a redução considerável do comportamento vicioso, fazendo com que ele seja uma exceção, à medida que cada homem se eduque.³ Em vários pontos dos ensinos espíritas, percebemos esse cuidado em destacar o caráter individualizante da proposta educadora da Doutrina. Não há, pois, a intenção de se criar um movimento à semelhança dos sistemas religiosos, que já se estabeleceram na Terra com base no Cristianismo, que atuavam pela criação de um padrão de comportamento e imposição dogmática desse padrão aos adeptos, forçando-os a uma atitude de religiosidade apenas aparente, que não resistia à pressão dos impulsos ainda existentes na intimidade dessas criaturas. A História mostra que a hipocrisia institucionalizada foi o resultado dessa ação.

A ação espírita será a de difusão do conhecimento, para que o desenvolvimento de uma nova forma de entender a vida possa criar uma nova maneira de estar no mundo. O progresso do conjunto resultará do crescimento de cada um. "(...)a vulgarização universal do Espiritismo dará em resultado, necessariamente, uma elevação sensível do nível moral da atualidade."4

Se queremos atuar verdadeiramente, auxiliando o advento do Mundo de Regeneração, trabalhemos pela divulgação das idéias espíritas, corrigindo as distorções no rumo do movimento que abraçamos, a fim de que os condicionamentos adquiridos em outros arraiais religiosos não venham a contaminar nossa ação, pela intromissão de atitudes dogmáticas e intolerantes. Não nos cabe julgar o companheiro que está ao nosso lado, nem limitar as suas possibilidades de escolha livre dos seus caminhos, mas sim ajudá-lo a encontrar, na luz do esclarecimento espírita, as razões das suas mazelas de hoje, a fim de que possa construir sua própria felicidade futura. Ao mesmo tempo, cabe-nos desafiar o pensamento pessimista desta época, mantendo o coração cheio de esperança e fé e a mente aberta para o aprendizado novo. Isso significa que precisamos educar-nos pelo esforço do auto-conhecimento e pelo desenvolvimento de um projeto consistente de reformulação interior. Tudo isso irá refletir-se beneficamente no conjunto em que estamos inseridos, melhorando as relações dentro da família e da coletividade. Reconheçamos com Emmanuel que "(...) ninguém é tão indigente que não possa concorrer para o progresso comum e tomemos com firmeza o lugar que nos compete no edifício da harmonia geral, distribuindo fragmentos de nós mesmos, no culto da fraternidade bem vivida".

1. KARDEC, Allan. “O Evangelho segundo o Espiritismo”. 112ª ed. Rio de Janeiro: FEB, cap. III.

2. REZENDE, Antônio. “Curso de Filosofia”. 6ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda 1986, cap.6.

3. KARDEC, Allan. “Obras Póstumas”. 26ª ed. Rio de Janeiro, FEB. 1978. As Aristocracias.

4. Idem, ibidem.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

29º EMEES

Todos os anos no período de carnaval acontece o Encontro Mocidades Espíritas do Espírito Santo, Emees, que em 2009 estará em sua 29º edição.

A programação gira em torno do tema A Geração Nova com estudos à luz da Doutrina Espírita, atividades artístico-doutrinárias, integração, música e oficinas.

O objetivo é oferecer aos participantes contribuições para a valorização do estudo sistemático do Espiritismo, a sensibilização para a vivência dos ensinamentos cristãos e intensificar a unificação do movimento juvenil espírita do Espírito Santo.


VISITEM O BLOG OFICIAL DO ENCONTRO NO ENDEREÇO: http://emees.wordpress.com

Na página do EMEES você pode obter todas as informações atualizadas, inclusive baixar um ringtone para o seu celular.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Ex-ministro da Justiça escreve sobre Espiritismo

RAZÃO E RELIGIÃO
Miguel Reale Júnior
No ano que se inicia, comemora-se o centenário da morte do cientista e médico Cesare Lombroso, fundador da Antropologia Criminal. Lombroso foi, ao lado de Garófalo e Ferri, um dos epígonos da Escola Penal Positiva italiana, cujas ideias foram fruto do desenvolvimento das ciências naturais e da confiança nos métodos empírico-explicativos.
A explicação causal do crime nasce com Lombroso a partir de estudos da morfologia de diversos condenados e internados, observando dados físicos dos quais retira consequências acerca do desenvolvimento mental. Sinais exteriores como queixo prognata, testa curta, orelhas de abano são características correspondentes a tendências delituosas. Dessa maneira, há um criminoso nato cuja origem está no atavismo, na herança da idade selvagem. O delito é fruto inexorável desse homem incorrigível, em razão da não-evolução de aspectos físicos e psíquicos. Assim, Lombroso negava o livre-arbítrio por acreditar na determinação absoluta da prática delituosa por fatores antropológicos.
Além de O Homem Delinquente, escreveu Lombroso A Mulher Delinquente, estudo no qual afirmava, após exame das características da mulher como as físicas, a capacidade craniana, o esqueleto, o peso e estatura, a inteligência e a moralidade, que esta possui fundamentalmente caracteres que a aproximam do selvagem e da criança.
Lombroso, contudo, mais tarde, sob influência de Ferri deu relevo aos aspectos ambientais na produção do fato delituoso, além de concluir, no final da vida, em consequência de sua adesão ao espiritismo, que dentre os criminosos poucos poderiam ser considerados como natos.
Curiosa é a caminhada do cientista, aferrado à análise dos fatos e à comprovação de suas causas, em direção ao espiritismo. Lombroso não foi fulminado pelo milagre da graça ou conduzido por uma revelação entusiasmante de Deus e das verdades escatológicas, mas chegou à religião, como se verá, por força dos fatos dos quais se declara escravo.
Na Itália do último quartel do século 19, deu-se forte influência do espiritismo, mormente no meio científico. Lombroso negou-se diversas vezes a participar de experiências espíritas, que chegou a ridicularizar. Coincidiu sua estada em Nápoles, em março de 1891, com a do professor Chiaia e da médium Eusápia Paladino, de extraordinários poderes. Lombroso concordou em presenciar uma sessão, desde que no seu hotel, à luz do dia, com cuidados contra qualquer fraude.
Na primeira de uma centena de sessões com a médium, impressionou-o o fato de, estando Eusápia presa a uma cadeira, a cortina do quarto se ter desprendido para envolvê-lo.
Poucos meses após a primeira experiência espírita, em julho, Lombroso já manifestava se envergonhar de haver combatido com violência a possibilidade de fenômenos espíritas, pois, apesar de contrário à teoria, atestava que fatos existiam e se orgulhava de deles ser escravo.
Em 1890, afirmara, diante da verificação de levitações, de transporte de objetos e de materializações, que com relação à teoria espírita era um pequeno seixo na praia, a água não o cobria, mas a cada maré sentia estar sendo arrastado um pouco mais para o mar. Experiência impressionante foi a aparição, em 1902, de sua mãe em diversas sessões, uma figura com a mesma estatura e a mesma voz, na maioria das vezes chamando-o de "fiol mio", como era próprio de sua origem veneziana.
Indagado por um jornalista em 1906 sobre os fenômenos espíritas, Lombroso disse que por educação científica fora sempre contrário ao espiritismo, mas ao lado de eminentes observadores, médicos, físicos, químicos, biólogos constatou fatos. Assim, acreditava na evidência, nada mais, sem medo do ridículo ao afirmar fatos dos quais experimentalmente adquirira profunda convicção.
Escreveu, então, em 1909, perto de morrer, o livro Hipnotismo e Mediunidade, em cujo prefácio declara que se situou distante de toda a teoria para que a convicção surgisse espontânea dos fatos solidificados pela consciência emanada do consenso geral dos povos. Fez, então, uma consistente síntese das experiências mediúnicas ao longo do tempo, mostrando a analogia entre o que sucedeu com os povos antigos, com os povos indígenas, com os fenômenos ocorridos na Idade Média ou no Renascimento e com o que sucedeu naqueles dias na presença de ilustres cientistas.
Disse, então, possuir um mosaico de provas resistente às mais severas dúvidas. Dentre tantos fenômenos e experiências que relata, muitos dos quais testemunhou, curiosos são os casos judiciários, como o da revelação por espírito de jovem falecido em navio de ter sido envenenado com ingestão de amêndoas com rícino, fato este depois constatado por perícia.
Escravo dos fatos, Lombroso descobre pela experiência o espiritismo, o que não contraria sua formação científica, causal-explicativa.
Allan Kardec, no Livro dos Espíritos, reconhece o livre-arbítrio, mas admite que não são os caracteres físicos que determinam o comportamento, e sim a natureza do espírito encarnado, que pode ter inclinação para o mal, mas possui o poder de enfrentar com o seu querer a tendência manifestada. Lombroso reconhece, ao fim, a pouca incidência de hipóteses do criminoso nato.
Este escorço histórico, quando dos cem anos da desencarnação de Lombroso, recoloca a angustiosa questão do livre-arbítrio ou do determinismo. A meu sentir, a liberdade não pode ser indiferente. Cabe situar o homem em suas circunstâncias biológicas e sociais, pois age no mundo que o circunda. O homem possui uma liberdade, mais que situada, sitiada, sem deixar de ter, contudo, uma esfera de decisão última pela qual define a realização da vontade e a do seu próprio modo de ser. Sem liberdade perdem sentido a dignidade do homem e a imortalidade do espírito.
Miguel Reale Júnior, advogado, professor-titular da Faculdade de Direito da USP, membro da Academia Paulista de Letras, foi secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, no governo Franco Montoro e ministro da Justiça.("O Estado de São Paulo", São Paulo, 3 de janeiro de 2009, p.2).

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O Esperanto e o Movimento Espírita Brasileiro


A iniciativa de chamar a atenção dos espíritas para o Esperanto nós a devemos ao vulto ímpar de Leopoldo Cirne, quando, no exercício da presidência da Federação Espírita Brasileira, faz publicar manifestação de espíritas franceses a respeito do idioma que, então, contava apenas 22 anos de existência.
A argumentação contida nesse documento permanece atualíssima, destacando-se, sobretudo, um elemento de inspiração mais tarde cabalmente confirmado, isto é, o fato de que o Esperanto nasceu no plano espiritual para solucionar problema lingüístico lá existente. Juntamente com as mensagens A Missão do Esperanto, do Espírito Emmanuel, e O Esperanto como Revelação, do Espírito Francisco Valdomiro Lorenz, ambas recebidas psicograficamente por Francisco Cândido Xavier, respectivamente em 19.01.40 e 19.01.59, o artigo transcrito em REFORMADOR de 15 de fevereiro de 1909 compõe a tríade inspiradora das realizações esperantistas nos círculos espíritas do Brasil.
Eis a íntegra do escrito da autoria de J. Camille Chaigneau que, segundo REFORMADOR, havia sido impresso em 1908, na revista de Gabriel Delanne, e posteriormente reproduzido por “La Vie d’Outre Tombe”, de Charleroi, com o título O Esperanto e o Espiritismo:
“O Esperanto é uma língua artificial criada pelo Dr. Zamenhof, contando aderentes no mundo inteiro (mais de 80.000) e afirmando a sua vitalidade crescente, os seus progressos imensos em reuniões de Congressos notáveis, pela sua facilidade e seus méritos intrínsecos.
Existe a seu favor um argumento que tudo resolve: é falado.
Não ameaça qualquer língua nacional e foi escolhido por uma comissão de sábios como língua auxiliar internacional, recomendável à adoção nos diferentes países. Por isso, a maior parte dos movimentos de caráter universal começaram a servir-se do Esperanto.
Os documentos mais importantes vindos dos mais diversos países do mundo podem ser concentrados em uma revista comum, e, graças a uma língua neutra, ser postos ao alcance de todos os que estudam uma mesma ordem de questões. Pensando na quantidade de fatos que a nós espíritas nos escapam por falta de tradução, na demora que essa mesma tradução traz à nossa documentação, parece que o Espiritismo deve ter todo o interesse em constituir uma revista central em que os fatos mais salientes possam vir grupar-se, graças a uma língua comum a todos os países.
É preciso, pois, que o Espiritismo aproveite essas vantagens. Somente o fato de se servir do Esperanto estabelece um laço fraterno entre todos os esperantistas e favorece a intercomunicação das doutrinas escritas ou faladas. É de absoluta utilidade para toda idéia sincera.
A adesão de uma coletividade ao Esperanto é uma força de engrandecimento para esta língua, mas, em compensação, essa coletividade goza da força comunicativa intrinsecamente contida no Esperanto.
Se quiséssemos procurar a gênese dessa língua, verificaríamos que ela aparece como um fato de colaboração com o Invisível.
Essa impersonalidade constitui a sua superioridade; essa assistência faz a sua força de atração.
Todos aqueles que trabalham no campo do progresso concorrerão para esta obra tão bela e tão fecunda à aproximação dos homens. O Esperanto possui a chama da fraternidade; ele viverá.
Compete aos espíritas aproveitar as suas aspirações vivificantes e dar-lhes um reforço de vitalidade.”
*
O crescimento da família espírita mundial, impondo a necessidade das relações entre os movimentos de diferentes nações, deu-lhes mais nítida consciência do problema lingüístico com todo o seu cortejo de prejuízos materiais e espirituais. E o instrumento para que tal obstáculo seja facilmente removido está às mãos.
Como seria natural, aos espíritas brasileiros coube a tarefa de, acolhendo a nobre criação de Zamenhof, cultivá-la, difundi-la, utilizá-la em seus círculos, para que, no momento oportuno, os confrades de outras terras tivessem facilitada a sua adoção.
Cumpramos, pois, agora mais essa etapa do programa relativo ao Esperanto nos círculos do Espiritismo. Estendamo-lo aos nossos irmãos de outros continentes, façamos dele a nossa língua comum para as relações internacionais, e certamente conheceremos um surto de progresso digno de um ideal universalista como é o Espiritismo Cristão.


Affonso Soares